O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu hoje à Assembleia Geral da ONU que imponha um ultimato ao Governo interino de Honduras para restituir no poder ao deposto presidente constitucional do país, Manuel Zelaya.
O líder boliviano cumprimentou a “coragem” do presidente centro-americano, que na segunda-feira retornou de surpresa a Tegucigalpa e se refugiou na embaixada do Brasil.
“Que bom seria que daqui saísse uma resolução para dar um ultimato à ditadura”, disse Morales em seu discurso nos debates do 64º período de sessões da Assembleia Geral das Nações Unidas.
Morales também pediu em seu discurso que a reforma da arquitetura multilateral se inicie com a “democratização” das Nações Unidas.
“Os membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França) e seu direito a veto devem ser eliminados”, insistiu o primeiro presidente indígena boliviano, que acrescentou que “os líderes da democracia deveriam renunciar a seus direitos e aceitar a verdadeira democratização do organismo”.
Além disso, advertiu que não se pode enganar a “os povos do mundo” sobre a origem “capitalista” da crise financeira do último ano.
O líder pediu à ONU que aborde com sinceridade as raízes dos problemas econômicos que enfrenta o planeta para evitar perder credibilidade perante “os povos do mundo”.
“A origem desta crise é a exagerada acumulação do capital em poucas mãos, é o saque permanente dos recursos naturais, é a mercantilização da Mãe Tierra e, sobretudo, vejo que esta origem vem de um sistema, de um modelo econômico que é o capitalismo”, afirmou Morales.
Além disso, advertiu que os povos exigem que se lhes exponha os verdadeiros motivos da crise econômica que aumentou a pobreza e a desigualdade.
“Se não falamos a verdade perante nossos povos sobre a origem destas crises seguramente vamos enganar a nós mesmos e vamos enganar à comunidade internacional e vamos enganar a nossos povos que esperam muito dos presidentes e desta classe de foros”, ressaltou.
Morales também se referiu à degradação do meio ambiente causada pela mão do homem.
Assim, exigiu aos países mais industrializados assumir os custos das diversas crises ambientais que sofre o planeta, particularmente a provocada pela mudança climática.
Em outra parte de discurso, pediu respeito à soberania da Bolívia frente às supostas intromissões de Governos estrangeiros em seus assuntos internos.
Também expressou sua rejeição ao acordo da Colômbia com os EUA para o uso por parte de militares americanos de bases militares no país sul-americano e pediu o fim do embargo de Washington a Cuba.