O presidente boliviano, sale Evo Morales, disse hoje que em três anos a Bolívia poderia deixar de ser um “Estado mendigo” e garantiu que atualmente isso “não só é viável, mas confiável”.
Além disso, Morales também pediu perante o plenário da Cúpula Ibero-americana para os organismos financeiros internacionais permitirem que o país se endivide a fim de solucionar os problemas existentes. Para isso, explicou as conquistas econômicas obtidas nos dois primeiros anos à frente do Governo boliviano.
“Sinto-me mais poderoso. Preciso de três anos para que a Bolívia deixe de ser um estado mendigo”, disse aos líderes dos países ibero-americanos. Morales lembrou que, entre outras conquistas, o país conseguiu um superávit na conta corrente.
“Conversei com organismos internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a Bolívia possa se endividar para resolver alguns problemas”, acrescentou.
Morales também lembrou que a Bolívia registrara superávit pela última vez em 1940. Atualmente, o país voltou a conseguir o feito, que o presidente atribuiu à nova lei de hidrocarbonetos.
Além disso, ele falou sobre a evolução favorável das reservas de divisas. “Até 2004 nunca foram de mais de US$ 1 bilhão. Este ano vamos ter mais de US$ 5 bilhões”.
No entanto, também demonstrou preocupação com a oposição de setores “minoritários e oligarcas”, que atrapalham a Assembléia Constituinte.
“Tenta-se resolver uma dívida histórica, o tema da pobreza e a desigualdade, e, se falamos da Bolívia, do indígena. Começamos a voltar a fundar o país com uma Constituinte”, disse o presidente. “O movimento indígena não é vingativo. Só quer viver, só quer igualdade”, acrescentou.
“Quando apostamos em uma transformação, há grupos que se opõem, os inimigos políticos que não querem que uma Bolívia seja fundada com a incorporação de todos os setores. Esses pequenos grupos, chamados governadores regionais e governadores, nos tratam como animais”, afirmou.
“Certamente (a oposição) tem medo de que estes grupos tenham certo poder político, econômico”, acrescentou. Morales também afirmou que o objetivo final de seu Governo é tornar o povo soberano.
Ao defender as nacionalizações das empresas de hidrocarbonetos iniciadas após ascender ao poder, Morales disse que a Bolívia deseja “parceiros, não patrões de recursos naturais”.
O presidente boliviano destacou como conquistas de seu Governo a criação de um fundo para a infância, que permitiu reduzir o analfabetismo, e a pensão vitalícia outorgada aos aposentados.
Também falou sobre a criação de um banco de desenvolvimento produtivo para a micro e a pequena empresa. “Antes os créditos eram caríssimos”, afirmou, ao destacar que o juro anual passou de 36% para 6%. “Tudo graças à nacionalização, à modificação da Lei de Hidrocarbonetos. Se essa é a minha experiência, temos que abandonar o modelo neoliberal”, disse perante a Cúpula.
“Vamos nos unir todos, nos juntarmos todos, e teremos um novo modelo econômico que não será neoliberal e também passará por uma coesão presidencial”, propôs Morales.