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Monges ignoraram ameaça militar de pôr fim aos protestos pacíficos em Mianmar

Arquivo Geral

25/09/2007 0h00

Cerca de 150 mil pessoas lideradas por monges budistas ignoraram hoje com manifestações em favor da democracia as ameaças da Junta Militar de Mianmar, information pills que dá sinais que se prepara para sufocar a crescente rebelião.

O presidente da Junta Militar, discount general Than Shwe, considerado um especialista na guerra psicológica, se reuniu na terça-feira com outros chefes militares em seu quartel-general de Napydaw, enquanto os monges mobilizavam mais uma vez dezenas de milhares de pessoas em Yangun e outras cidades do país, segundo a imprensa local.

As mobilizações se repetiram apesar de as autoridades terem percorrido as cidades ao longo do dia para advertir, com o uso de megafones, que qualquer pessoa que observasse os protestos poderia ser condenada a três anos de prisão, e os participantes a 10 anos de reclusão.

Tropas procedentes do leste do país se dirigiram à tarde em direção a Yangun, e as autoridades distribuíram papéis alertando os manifestantes sobre a aplicação do Código Penal que autoriza a dissolução – com uso da força, se for necessário – de qualquer assembléia ilegal e o desdobramento dos soldados.

Essa advertência por escrito ocorreu depois da feita na noite de terça-feira pela hierarquia budista ou “Sangha”, controlada pela Junta Militar, e que ordenava aos religiosos que se recolhessem em seus mosteiros para evitar a intervenção dos soldados.

A última vez que ocorreu uma ordem similar, em 1990, os militares ocuparam os mosteiros e detiveram milhares de monges e noviços depois do boicote deles às doações do Exército em resposta às tentativas do regime para controlar o monastério.

Durante a passeata pacífica de hoje pelas ruas do centro de Yangun, os manifestantes gritavam “democracia, democracia”, enquanto eram aplaudidos e saudados pelos moradores.

Também se juntaram à manifestação cerca de 200 membros da Liga Nacional pela Democracia (LND), único que resiste à forte pressão do regime e que é liderado pela prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, sob prisão domiciliar desde 2003.

Alguns participantes mostravam imagens do pavão real, símbolo dos estudantes que organizaram os protestos interrompidos pelos soldados com o massacre de três mil ativistas entre agosto e setembro de 1988.

Muitas pessoas optaram por ficar em suas casas com medo de que o Governo militar ordenasse às tropas que utilizassem a força para dispersar os manifestantes.

A imprensa estatal local ressaltou as ordens da Junta Militar que proíbem a participação nas mobilizações e advertiu nas primeiras páginas que os monges devem obedecer à hierarquia budista e retornar aos mosteiros.

Segundo o Ministério de Assuntos Religiosos de Mianmar, somente 2% dos budistas participam das manifestações que desafiam um regime militar que governa o país há 45 anos.

A manifestação pacífica em Yangun começou, como vem ocorrendo desde a segunda-feira da semana passada, com a congregação dos monges no templo de Shwedagon, na parte antiga, para orar, e em torno do qual, o Exército situou vários caminhões com soldados, segundo a rádio “Mizzina”.

Na véspera, 100 mil pessoas, muitas delas monges, participaram em Yangun da maior manifestação contra o regime militar em 19 anos, que registrou mobilizações parecidas em outras cidades do país.

Os protestos começaram em agosto como conseqüência da entrada em vigor do aumento dos preços de todos os combustíveis, decretado pelas autoridades, e que aumentou os custos de muitos produtos básicos em um dos países mais pobres da Ásia.

Com o passar dos dias, as manifestações organizadas pela LND e a Geração de Estudantes de 88 para protestar pelo aumento do custo de vida se transformaram em manifestações pacíficas dos monges budistas e, finalmente, em mobilizações populares para exigir democracia.

A LND exigiu na segunda-feira que os funcionários e soldados do Exército, que dispõe de 400 mil militares, apoiassem os manifestantes para conseguir a democratização da Birmânia.

Os generais birmaneses não permitem a realização de eleições legislativas desde 1990, quando Suu Kyi, na liderança da LND, conseguiu uma vitória arrasadora, resultado que nunca foi acatado pela Junta Militar.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, defendeu hoje a adoção de uma “ação internacional imediata” para evitar que as autoridades birmanesas recorram a medidas militares drásticas contra os manifestantes, segundo um porta-voz do Partido Trabalhista.

“Apoiaria uma iniciativa da Presidência européia de advertir o Governo de Mianmar de que estamos observando seu comportamento e que a União Européia imporá sanções mais duras se escolherem as opções equivocadas”, disse Brown em uma carta dirigida ao primeiro-ministro português, José Sócrates, atual presidente rotativo da União Européia (UE).

O Alto Representante para a Política Externa e de Segurança da UE, Javier Solana, afirmou hoje acreditar que o regime promoverá um processo de “autêntica reforma política”.

“A paz autêntica, a estabilidade e o desenvolvimento de Mianmar só podem ser conseguidos por meio da reforma política, do reconhecimento de direitos e liberdades fundamentais e da inclusão de todos”, comentou Solana em comunicado.

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