A mineradora MMX, controlada pelo multimilionário Eike Batista, anunciou hoje que chegou a um acordo para vender 21,52% de seu capital social ao grupo chinês Wuhan Iron & Steel (Wisco) por US$ 400 milhões, assim como para construir uma siderúrgica conjunta no Brasil.
A MMX informou em comunicado enviado à Bolsa de Valores de São Paulo que emitirá 167.849.906 novas ações ordinárias para dar participação à siderúrgica chinesa. Os recursos da venda total de ações serão utilizados para financiar o desenvolvimento de operações da empresa em Minas Gerais, segundo o comunicado.
O acordo também inclui um compromisso para a construção conjunta de uma planta siderúrgica no Porto do Açu, um complexo industrial e portuário que Batista está construindo no estado do Rio de Janeiro.
A siderúrgica conjunta, na qual a Wisco terá 70% e Batista os 30% restantes, terá uma capacidade mínima para produzir 5 milhões de toneladas por ano e a previsão de ambos os grupos é de que a construção possa ser iniciada em 2010.
A associação na siderúrgica vinha sendo negociada há vários meses, mas o grupo chinês inicialmente estava interessado apenas em uma participação minoritária.
A Wisco se comprometeu a intermediar para que o projeto seja construído com recursos financeiros do Banco de Desenvolvimento da China e a MMX buscará o financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O acordo igualmente inclui um contrato de 20 anos pelo qual a MMX se comprometeu a oferecer à Wisco 50% do minério de ferro que extrair da mina de Serra Azul e a possibilidade de aumentar esse fornecimento em até 50% com mineral procedente da mina de Bom Sucesso.
Esse compromisso, segundo o comunicado, poderá representar a exportação de pelo menos 16 milhões de toneladas de minério de ferro por ano quando a infraestrutura da MMX em Minas Gerais tiver alcançado sua capacidade total de produção.
“Trata-se de uma transação histórica que representa o maior investimento acionário já realizado por uma empresa chinesa no Brasil até hoje e uma nova era de cooperação econômica entre Brasil e China”, afirmou Batista, citado no comunicado.
“A cooperação beneficiará ambas as partes, já que garantirá o fornecimento de minério de ferro para a Wisco, aumentará as vantagens comparativas da Wisco e da EBX (controladora da MMX) e contribuirá para o desenvolvimento social e econômico do Brasil”, disse o presidente do grupo siderúrgico chinês, Deng Qilin.