A Missão da ONU no Iraque (Unami) defendeu hoje sua imparcialidade durante as eleições do dia 7 de março, depois que o atual primeiro-ministro, Nouri al-Maliki, acusou a organização de “inação” frente às denúncias de fraude.
Os dados finais da apuração, divulgados na sexta-feira, colocam a coalizão opositora Al Iraqiya (O Iraquiano) com 91 das 325 cadeiras que estavam em disputa, seguida da coalizão Estado de Direito, de Maliki, com 89 deputados.
Imediatamente após conhecer o resultado, Maliki expressou sua inconformidade e antecipou que sua coalizão pretende recorrer aos canais legais para impugná-lo.
Em comunicado, o chefe da missão da ONU no Iraque, Ad Melkert, precisou que a Unami fez uma assessoria imparcial conforme solicitado pelas autoridades.
O texto foi uma resposta a Maliki, que se queixou domingo da falta de ação da ONU perante as denúncias de fraude eleitoral apresentadas pela sua coalizão.
“Se eu estivesse no lugar de Melkert e frente a esta onda de problemas teria dito ‘devem chegar até o final (para detectar a fraude)”, afirmou Maliki ontem à noite em entrevista à televisão iraquiana.
Segundo o primeiro-ministro, Melkert se limitou a dizer que era difícil atuar devido a falta de tempo.
“A ONU se mostrou mais veemente contra minha solicitação que a própria comissão”, disse, em referência a seu pedido, rejeitado pelas autoridades eleitorais, de que se efetuasse uma apuração manual dos votos, ao considerar que tinha ocorrido fraude.
Perante estas críticas, Melkert afirmou hoje que é a Comissão Eleitoral que tem a responsabilidade de revisar as impugnações e lembrou que tomou “uma decisão unânime” após estudar as denúncias apresentadas pelos partidos.
“O seguinte passo, que supõe a ratificação da Corte Suprema Federal dos resultados, é inteiramente uma responsabilidade iraquiana”, ressaltou o responsável da ONU.
Melkert especificou, além disso, que só a pedido do governo a ONU proporcionará “assistência técnica e assessoria nos próximos períodos do processo”.