Os enviados da CIDH, que chegaram entre este domingo e hoje a Tegucigalpa, se reuniram com os magistrados da Sala Constitucional da Corte Suprema de Justiça (CSJ) hondurenha e representantes da sociedade civil.
O primeiro vice-presidente da CIDH, o argentino Víctor Abramovich, disse hoje à imprensa que o objetivo da missão é “elaborar um relatório sobre a situação dos direitos humanos no contexto do golpe de Estado”.
Abramovich acrescentou que, para cumprir seu trabalho, a delegação se reunirá “com todos”, como representantes do Governo e de organizações sociais.
Durante sua estada em Honduras, a comissão não emitirá “nenhum tipo de declaração ou conclusões, pois é necessário receber informações primeiro”, mas deve conceder uma entrevista coletiva ou divulgar um comunicado na sexta-feira, ao término de sua visita, disse Abramovich.
Enquanto a missão da CIDH cumpria sua agenda, no outro extremo da capital hondurenha, centenas de seguidores de Zelaya protestavam de novo nas ruas exigindo sua restituição no poder e o retorno da ordem democrática no país.
Em meio aos manifestantes, a esposa de Zelaya, Xiomara Castro, disse que seu marido se encontra na Nicarágua, de onde “continua lutando para que Honduras volte à democracia e os golpistas saiam do poder”.
Zelaya foi detido e expulso do país em 28 de junho pelos militares, que o enviaram à Costa Rica. No mesmo dia, o Parlamento designou Micheletti como presidente de Honduras – até então, ele presidia o Legislativo.
A vice-ministra das Relações Exteriores do Governo de Micheletti, Martha Lorena Alvarado, disse hoje em entrevista coletiva que tem “grandes reservas” quanto à missão da CIDH.
Alvarado questionou a delegação da entidade pelo fato de que sua visita ao país não prevê uma reunião com o Executivo de fato, o que foi confirmado pela própria presidente da comissão, a venezuelana Luz Patricia Mejía, ao chegar hoje a Tegucigalpa.
Mejía acrescentou que a missão da CIDH se reunirá somente com representantes do Parlamento, do Poder Judiciário, do Ministério Público, com altos comandantes das Forças Armadas e da Polícia, além de representantes da sociedade civil.
“Adoraria estar equivocada, mas temos grandes reservas sobre a atitude da delegação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos” declarou a vice-chanceler hondurenha.
Alvarado também disse que é intenção do Governo de seu país “lembrar à Comissão que o princípio essencial dos direitos humanos é que todos somos iguais e, portanto, os direitos humanos não podem ser visto a partir de uma única perspectiva”.
As primeiras reuniões da CIDH em Tegucigalpa e as declarações da vice-chanceler hondurenha coincidiram com a viagem a Washington de uma delegação do Governo de Micheletti para continuar o diálogo iniciado na semana passada com membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).
Um dos membros da delegação, Arturo Corrales, disse a jornalistas que o grupo permanecerá em Washington pelo menos até a próxima quinta-feira.
Os outros representantes hondurenhos que viajaram para Washington são a ex-presidente da Corte Suprema de Justiça Vilma Morales e o advogado Mauricio Villeda.
Corrales explicou que a comissão continuará se reunindo “de forma privada, mas não secreta”, com os principais responsáveis pela OEA com o objetivo de buscar uma saída para a crise política em Honduras.