Dois ministros da Autoridade Nacional Palestina (ANP) disseram hoje que Israel extraiu órgãos de palestinos que seu Exército havia matado, uma acusação que já gerou este ano turbulências diplomáticas entre a Suécia e o Estado judeu.
Em comunicado, o ministro da Saúde no Governo Mahmoud Abbas, Fathi Abu Mughli, assegurou que médicos israelenses “tiraram de corpos partes como córneas, ossos e pele sem permissão dos familiares”.
Abu Mughli pediu ao Governo israelense que investigue o que qualificou de “ato ignominioso” e responda às acusações.
Na mesma linha, Eissa Qaraqe, ministro de Assuntos dos Presos, defendeu que Israel esconde corpos de palestinos em cemitérios secretos e se recusa a entregá-los às famílias “para esconder o roubo de partes dos cadáveres”.
“Uma máfia israelense comercializa órgãos dos corpos e algumas famílias palestinas receberam os corpos de seus filhos com alguns dos órgãos extraídos”, assinalou Qaraqe.
As declarações chegam dois dias depois de o “Canal 2” da televisão israelense transmitir uma nova reportagem sobre a sistemática extração de órgãos na década de 90 no Instituto de Medicina Legal de Abu Kabir, em Tel Aviv.
A reportagem mostra declarações nas quais o ex-diretor do Instituto Abu Kabir de Medicina Legal de Israel, Yehuda Hiss, confirma que retirou pele e córneas de corpos nos anos 90 sem a permissão das famílias.
Investigado em duas ocasiões pelo caso, mas nunca julgado, Hiss fez essa afirmação em 2000 à pesquisadora americana Nancy Shepard Hughes.
“Não digo exclusivamente de palestinos, mas também deles”, acrescenta a antropóloga, que divulgou a gravação por causa de um artigo publicado em julho passado no jornal sueco “Aftonbladet”, que sugeria que soldados israelenses participaram do tráfego de órgãos extraídos de palestinos.
A reportagem se baseava em um caso que teria ocorrido em 1992, no qual o corpo de um jovem palestino foi devolvido a sua família com uma sutura que ia do abdômen ao queixo, cinco dias após ter sido morto por soldados israelenses.
O artigo originou uma tempestade política entre Suécia e Israel, cujo chanceler, Avigdor Lieberman, chegou a comparar a rejeição de Estocolmo a pedir desculpas pela publicação com seu “silêncio durante o Holocausto”.