O ministro de Assuntos Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, disse hoje, pouco antes de viajar aos Estados Unidos, que deve transferir a Washington a preocupação gerada em seu Governo e na cúpula militar pelas condições de um pacote de assistência econômica americana.
Em declarações à imprensa paquistanesa no aeroporto de Islamabad, Qureshi disse que o Paquistão não comprometerá sua soberania, mas acrescentou que seus anteriores encontros com diplomatas americanos não o levam a crer que Washington tenha uma vontade de intrusão.
O pacote, à espera da ratificação do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prevê uma ajuda para projetos civis de US$ 1,5 bilhão anual durante os próximos cinco anos, mas as condições geraram críticas no Paquistão, sobretudo entre a cúpula militar.
Até agora, o Paquistão recebeu dos EUA fundamentalmente ajuda militar, cerca de US$ 10 bilhões desde 2001.
Qureshi participou de uma reunião no fim de semana passado junto com o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari; o primeiro-ministro, Yousuf Raza Gillani, e o chefe do Exército, Ashfaq Pervez Kiyani, na qual ficou decidido que o ministro de Exteriores devia ir a Washington para detalhar as reservas do Paquistão.
A legislação americana que reúne o novo pacote de ajudas exige que o Paquistão mantenha a luta contra os talibãs e a Al Qaeda, sob a ameaça de cortar a assistência militar.
As referências dos EUA na lei a algumas áreas das províncias do Baluchistão e do Punjab como redutos extremistas também foram mal recebidos, afirmou a imprensa, durante os últimos dias.
Também não agradou uma cláusula que pede que o Governo paquistanês permita o acesso de investigadores dos EUA a indivíduos suspeitos de participar de atividades relacionadas à proliferação nuclear.
Além disso, segundo o plano, os EUA devem contribuir para que o Executivo paquistanês exerça um maior controle sobre o Exército e seus ativos financeiros.
O pacote de ajudas foi objeto de debate na semana passada no Parlamento paquistanês.