O ministro do Interior da Áustria, drug Günther Platter, ordenou hoje uma investigação para esclarecer se a polícia do país agiu com negligência no caso de Natascha Kampusch (foto), a jovem que foi seqüestrada aos dez anos e ficou outros oito em cativeiro.
Fontes do Ministério do Interior confirmaram em Viena que Platter nomeou uma comissão de especialistas para que faça uma avaliação do caso, depois que na terça-feira o ex-diretor do Escritório Federal Contra o Crime, Herwig Haidinger, denunciou irregularidades a uma comissão parlamentar.
Entre as irregularidades, destacou que a suspeita de graves erros e negligências no caso Kampusch foi deixada de lado em 2006 pela então ministra do Interior, Liese Prokop (que morreu em 1º de janeiro de 2007), devido à proximidade das eleições parlamentares.
Haidinger especificou que há fortes indícios que provavelmente teriam levado o caso de Kampusch a ser resolvido muito antes, mas que não foram levados em consideração na época pelos policiais que investigavam o desaparecimento da menina em 1998.
Ele explicou que, após a inesperada aparição de Kampusch em agosto de 2006, ele mesmo chamou a atenção sobre isso à ministra, mas que esta respondeu: “não precisamos de um escândalo policial antes das eleições”.
Hoje, Natascha Kampusch reagiu consternada e com indignação após as declarações, e seu advogado, Gerald Ganzger, disse que, uma vez que todos os fatos vierem à tona, provavelmente sua cliente terá direito a pedir uma indenização das autoridades.
“Aparentemente, apesar dos indícios convincentes sobre meu seqüestrador, tive que esperar oito anos e meio para encontrar por mim mesma à força o caminho à liberdade”, disse hoje a jovem de 19 anos à agência austríaca “APA”. “Sentir em minha própria carne como as prioridades se assentaram aqui, causa-me susto e raiva”, acrescentou. Segundo Kampusch, “o assunto não deixa bem cotados os métodos de investigação policial”.
Para Ganzger, é “incrivelmente concreto” um dos indícios que descreve as características mais importantes do seqüestrador, Wolfgang Priklopil.
Em uma ata policial descoberta em 2006 por Haidinger se indica que um policial adestrador de cachorros tinha assinado um protocolo, seis semanas após o seqüestro, onde se assinalava que no caso havia um suspeito, e que seu nome era Wolfgang Priklopil.
O relatório, com o nome do seqüestrador, foi enviado ao Escritório de Segurança, mas ninguém nunca interrogou seu autor para saber mais detalhes.
No documento, Priklopil é descrito como “solitário”, com sérios problemas de relacionamento, que provavelmente vivia com sua mãe em uma casa familiar em Strasshof, perto de Viena, vigiada com sistemas eletrônicos e que tinha tendências sexuais para “menores”.
Foi precisamente nessa casa onde Priklopil manteve Kampusch em um duro cativeiro, fechada em um mínimo recinto que tinha construído debaixo da garagem.