O ministro da Defesa da Alemanha, Karl-Theodor zu Guttenberg, anunciou hoje que há mais documentos ocultos sobre um bombardeio no Afeganistão ordenado por tropas alemãs em setembro e que deixou mais de 140 mortos, muitos deles civis.
Guttenberg disse que deverá entregar à comissão de Defesa do parlamento alemão toda a documentação existente sobre o caso, incluindo papéis de caráter secreto.
O ministro afirmou que a maioria dos documentos foram redigidos antes das eleições legislativas de 27 de setembro e que em cinco deles há referência explícita às vítimas civis do bombardeio.
Ainda de acordo com Guttenberg, a cassação do chefe de Estado-Maior do exército alemão, Wolfgang Schneiderhan, e a do secretário de Estado para a Defesa, Peter Wichert, não aconteceram por causa do bombardeio, mas “por perda de confiança” por causa da ocultação dos relatórios.
Já o ex-responsável pela pasta da Defesa, Franz-Josef Jung, que agora é ministro do Trabalho, marcou para hoje um novo pronunciamento à imprensa, no qual pode anunciar sua renúncia.
Nesta quarta-feira, o jornal “Bild” revelou a existência de um relatório que indicava que militares alemães sabiam que civis haviam morrido no bombardeio.
Jung reconheceu que enviou à Otan, sem ler ou entregar uma cópia ao parlamento, um relatório das tropas do país no Afeganistão redigido imediatamente depois do ataque.
Na operação militar, um caça americano bombardeou por ordem de um comando alemão dois caminhões-pipa que transportavam combustível e haviam encalhado no rio Kunduz após terem sido sequestrados por insurgentes talibãs.