O Ministério Público do Equador informou, nesta quarta-feira (28), que investiga um suposto financiamento da Venezuela à campanha presidencial da ex-candidata de esquerda Luisa González na eleição em que Daniel Noboa foi vencedor.
Os candidatos de lados políticos opostos se enfrentaram na eleição antecipada de 2023 e depois em 2025, em meio a uma onda de violência sem precedentes ligada ao narcotráfico que atinge o país.
O ex-presidente socialista Rafael Correa disse, no X, que as casas de seus protegidos e ex-candidatos, González e Andrés Arauz, candidato na eleição de 2021, foram alvo de busca e apreensão.
Segundo o Ministério Público, “presume-se que ele trazia dinheiro ilícito (em espécie) da Venezuela para financiar a campanha presidencial de 2023”, quando González e o candidato a vice, Arauz, perderam com 48% dos votos para Noboa.
O ministério divulgou uma foto em que González aparece, de pijama e com o rosto desfocado, analisando um documento na presença de autoridades.
Sem mencionar Correa, o presidente Noboa disse, no Fórum Econômico Mundial de Davos, que “no Equador houve campanhas políticas financiadas pelo regime de (Nicolás) Maduro e o dinheiro fluía da PDVSA”, a petroleira estatal venezuelana.
Correa foi um aliado ferrenho da Venezuela durante seu governo (2007-2017) e rejeitou a incursão militar dos Estados Unidos em Caracas que terminou com a captura e a derrubada de Maduro.
Após deixar o poder, o ex-governante equatoriano integrou uma equipe que assessorava o governo chavista em temas econômicos.
Noboa, um dos maiores aliados de Washington na América Latina, culpa o governo de Correa pelo aumento da violência ligada ao narcotráfico.
No âmbito do caso denominado Caixa Chica, o Ministério Público indicou que, junto com a polícia, “executa buscas em 3 imóveis” nas províncias de Pichincha e Guayas para “coletar indícios”.
O movimento correísta Revolução Cidadã anunciou uma coletiva de imprensa de González em Quito nas próximas horas.
Correa, residente na Bélgica e condenado à revelia em 2020 a oito anos de prisão por corrupção, divulgou uma notificação do Ministério Público na qual aparece entre os investigados.
A Revolução Cidadã, liderada por Correa, é a principal força legislativa com 67 dos 151 assentos, embora o governista Ação Democrática Nacional (66) tenha alcançado maioria com o apoio de outros setores.
AFP