Milhares de bolivianos saíram hoje às ruas para apoiar presidente Evo Morales, que está em conflito com o grupo indígena contrário à construção de uma rodovia em território amazônico.
Camponeses, mineiros, comerciantes e funcionários públicos fizeram uma caminhada entre as cidades de El Alto e La Paz, causaram um nó no trânsito e se reuniram no final em uma praça onde foi realizado um comício.
Em seu discurso durante o ato, Morales se declarou surpreendido pela multidão reunida para apoiá-lo e afirmou que sente que não está só pois “o povo vai a defender o processo de mudança”.
“Tentam nos dividir para que retorne o colonialismo e o modelo neoliberal, mas a população sempre estará do lado da revolução democrática e cultural, uma revolução com voto e não com bala, uma revolução com a consciência do povo”, afirmou o líder.
Milhares de funcionários públicos participaram da manifestação, mas muitos deles declararam que estava alim obrigados por seus superiores.
Líderes políticos expressaram o apoio a construção de uma estrada que cortará o Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis). Os indígenas que vivem na região são contra a obra e há dois meses marcham em protesto contra Morales.
O grupo indígena, que se encontra a menos de cem quilômetros de La Paz, chegará à capital na próxima semana. A marcha despertou a solidariedade de vários setores da sociedade boliviana.
No comício, Morales disse que pediu perdão pela brutal repressão policial contra os indígenas no dia 25 de setembro. Mas frisou que há grupos que querem se vingar dele manipulando os fatos.
“Mas também quem não se equivoca? É melhor reconhecer nossos erros”, afirmou o presidente, que acrescentou que a oposição quer tirá-lo do poder por seus equívocos. Morales, no entanto, disse que manifestações como a de hoje demonstram a força que ele tem.
Ao contrário do que se esperava, o dirigente não falou sobre as eleições das autoridades judiciais que serão realizadas nesse domingo. O presidente vem afirmando que conquistará uma nova vitória no pleito, e a oposição pediu para que os bolivianos votem nulo.
Os indígenas afirmaram que só chegarão a La Paz na próxima semana para não atrapalhar essas eleições.