O presidente da Argentina, Javier Milei, entrou nesta quarta-feira (21) na campanha eleitoral espanhola, classificando Pedro Sánchez de “ditador” durante uma visita a Madri para demonstrar seu apoio à oposição de direita e de extrema direita, a pouco mais de um mês das eleições gerais.
“A Espanha soube acolher centenas de milhares de argentinos que fugiram da miséria e da falta de futuro, fruto do sinistro socialismo do século XXI e de sua filial argentina, o ‘kirchnerismo’, e vocês sofrem regularmente com o inaceitável ditador Pedro Sánchez”, disparou Milei em sua fala em um fórum econômico.
Durante seu discurso, o líder ultraliberal, de 55 anos, chamou Sánchez de “ladrão” e “corrupto”, e instou os espanhóis a “expulsarem os socialistas a pontapés”, a pouco mais de um mês das eleições antecipadas de 29 de novembro.
Nesse pleito, as pesquisas dão vantagem, por ora, ao conservador Partido Popular (PP), à frente dos socialistas, embora sem alcançar a maioria absoluta. Isso conferiria ao partido de extrema direita Vox uma possível posição decisiva.
O Ministério das Relações Exteriores emitiu um comunicado expressando sua “mais enérgica condenação” aos “insultos e calúnias” de Milei, e afirmou que a Espanha “não aceita ingerências externas, nem ataques e injúrias ao seu presidente”.
“É indigno” que o mandatário “de uma nação irmã realize visitas ao nosso país com o único objetivo de tentar fomentar um clima de polarização e violência entre os espanhóis e entre nações irmãs”, acrescentou o Ministério.
Em um ato de campanha em Burgos, Sánchez fez um “contraste” entre os resultados econômicos de seu governo e o de Milei, afirmando que, na Argentina, há “11 milhões” de pessoas “na economia informal” e o salário mínimo caiu “40%”, enquanto na Espanha há 22,6 milhões de “trabalhadores contribuindo” e o salário mínimo subiu “66%”.
“O que se demonstra, no fim das contas, é que as motosserras e os cortes drásticos que a direita e a extrema direita sempre promovem quando governam não constroem nada; pelo contrário, destroem”, disse Sánchez.
O líder socialista afirmou sentir “orgulho” de ser um “esquerdista”, em referência ao termo que a extrema direita utiliza de forma pejorativa para se referir aos militantes de esquerda.
Milei também atacou os “partidos de esquerda” na Europa, acusando-os de serem os responsáveis pela “estagnação brutal” da economia do continente.
Sobre a imigração, Milei acusou o governo de Sánchez de fomentar, com motivações eleitorais, uma “invasão” migratória, citando o que ocorreu no enclave de Ceuta, onde dezenas de milhares de migrantes entraram no final de julho.
“A estagnação econômica, combinada com a irresponsabilidade migratória, traça um caminho de decadência muito difícil de reverter para o futuro”, avaliou.
Durante sua visita a Madri, o presidente argentino se reuniu com representantes do Vox e com a presidente conservadora da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, do PP.
AFP