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Mundo

Milei critica postura da ONU em relação às Malvinas e termina discurso com palavrão

Ultraliberal criticou a atuação das Nações Unidas e classificou a organização como inútil durante seu discurso

Redação Jornal de Brasília

23/09/2026 14h44

milei

Foto: Patrick T. Fallon/AFP

DANIELA ARCANJO
FOLHAPRESS

O presidente da Argentina, Javier Milei, usou seu discurso na Assembleia Geral da ONU, nesta quarta-feira (23), para criticar a postura da entidade em relação à disputa com o Reino Unido pelas ilhas Malvinas e terminou sua fala com um palavrão, algo que já havia feito no ano passado.

Antes de deixar a tribuna, despediu-se com seu mote: “Viva a liberdade, caralho!”.

Sob o argumento de que “sempre é preferível dizer uma verdade desconfortável do que uma mentira confortável”, o ultraliberal disse que as Nações Unidas viraram “uma organização inútil, que só serve para alimentar uma casta de parasitas fatalmente arrogantes disfarçados de burocratas bem intencionados”.

“Quem deveria garantir a segurança coletiva e os direitos humanos fracassaram na tarefa”, continuou, com sua retórica usual. “Em vez disso, permitiram o caos, a violência e o terrorismo internacional.”

O exemplo desse fracasso que concerne à Argentina, segundo ele, é o das Malvinas, questão que virou prioridade de seu governo no último mês como uma “causa nacional”, conforme reafirmou na tribuna de Nova York durante a manhã.

O núcleo das críticas do ultraliberal é o avanço dos projetos extrativistas nas ilhas à revelia das decisões argentinas, já que o Reino Unido considera as Falklands, como chamam o arquipélago, um território ultramarino britânico. Milei, no entanto, citou a resolução da ONU que proíbe “alterações unilaterais à situação” enquanto a disputa não for resolvida.

“De que serve uma resolução se, durante décadas, a outra parte pode agir de forma oposta, e essa resolução permanece intacta nos arquivos, impotente diante da realidade?”, perguntou. “Uma instituição que não consegue fazer com que a sua palavra tenha peso na realidade perde o que mais importa: a sua autoridade.”

Impulsionada por Donald Trump, que, no começo de setembro, disse não descartar uma revisão da neutralidade que os Estados Unidos adotam em relação à soberania do arquipélago, a Casa Rosada começou a agir frente ao Reino Unido diante do que considera uma inércia da ONU.

“Em resposta à exploração não autorizada de nossos recursos na área em disputa, tomamos medidas”, disse Milei antes de elencar as ações de seu governo nas últimas semanas: “Emitimos denúncias formais, utilizamos os meios legais disponíveis, aplicamos sanções às empresas envolvidas e seus fornecedores e apresentamos um projeto de lei ao Congresso para proteger nossa soberania nacional”.

O ultraliberal também convidou o Reino Unido a retomar as negociações pela soberania e empresários a investir na jazida de petróleo e gás conhecida como Vaca Muerta. “Mas este convite tem um limite: não seremos indiferentes em relação àqueles que exploram recursos sob ocupação estrangeira ilegal. A posição da Argentina está tomada.”

Antes de concluir, Milei citou EUA e Israel, “países com os quais [a Argentina compartilha] uma profunda afinidade de valores”, segundo ele, e que simbolizam a essência de sua diplomacia, e atacou a OMS (Organização Mundial de Saúde), entidade da qual Buenos Aires se retirou em março deste ano.

“Durante a pandemia, organizações dependentes dessa instituição priorizaram evidências científicas e a soberania nacional em detrimento da segurança nacional, promovendo lockdowns forçados em todo o mundo que destruíram empregos”, disse. “Onde alguns apontam um erro de política de saúde pública, nós vemos um experimento global de controle social disfarçado de ciência.”

Por fim, acenou a investidores na área de inteligência artificial, comprometendo-se a não “regular de maneira preventiva” a tecnologia e garantindo benefícios fiscais às empresas. “Em relação à inteligência artificial, a Argentina estará na vanguarda da liberdade. (…) Queremos ser o lugar mais competitivo do mundo para desenvolvê-la”, afirmou.

“Aos homens e mulheres livres do mundo, aos cientistas, aos empreendedores, aos criadores, àqueles que sonharam com uma terra onde recomeçar, eu digo: olhem para o sul”, afirmou, em tom ufanista.

“Vão encontrar uma terra imensa, de campos férteis, de petróleo, de minerais e de talento humano.”

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