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Micheletti se afasta do poder entre rejeição e apoio a eleições em Honduras

Arquivo Geral

25/11/2009 0h00

O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, se afastou hoje de suas funções por ocasião das eleições de domingo, enquanto seguidores e detratores do governante deposto, Manuel Zelaya, se pronunciaram contra e a favor do pleito, respectivamente.

Micheletti deve retornar à Casa Presidencial no próximo dia 2, dia em que o Parlamento hondurenho definirá se Zelaya será restituído ou não no poder, como confirmou nesta terça-feira o ministro da Presidência do Governo de fato, Rafael Pineda.

Durante a ausência temporária de Micheletti, o Conselho de Ministros exercerá as funções do Executivo, disse Pineda hoje.

Segundo o ministro da Presidência, os colaboradores mais próximos do Governo de Micheletti estão em situação de “alerta permanente” para caso seja preciso agir imediatamente.

A Frente Nacional de Resistência contra o Golpe de Estado reuniu hoje centenas de pessoas em frente ao Parlamento de Honduras para exigir o retorno de Zelaya à Presidência e para pedir aos hondurenhos para que não votem no domingo porque isso significaria legitimar o golpe de Estado.

“Estamos convocando o povo hondurenho a não votar neste dia 29 de novembro” porque o processo eleitoral “é dirigido por um regime ilegal e golpista”, disse à Agência Efe o coordenador da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado, Juan Barahona.

No primeiro dia do afastamento de Micheletti, a Polícia informou que investiga um suposto plano de um atentado contra o presidente de fato no próximo domingo, quando votará em sua cidade natal, El Progreso, no norte de Honduras.

Na noite de ontem, Micheletti alertou sobre um plano para assassiná-lo, o que ainda não foi confirmado, disse à Agência Efe um alto funcionário do Governo de fato.

“Não temos confirmação, mas está sendo investigado um plano para assassinar o presidente no domingo, quando o presidente estiver votando em sua cidade natal”, disse a fonte, que pediu anonimato.

O alto funcionário acrescentou que “a informação parte de várias armas e outros objetos confiscados ontem (terça-feira)” na cidade de El Progreso, onde quatro homens foram presos hoje por suspeita de serem os donos das peças apreendidas.

Segundo o porta-voz da Polícia em Tegucigalpa, Orlin Cerrato, foram apreendidos ontem em El Progreso um fuzil com mira telescópica e outro do modelo AK-47, além de aparelhos de comunicação e computadores, entre outros equipamentos.

Além disso, desconhecidos também tinham planos de danificar a ponte La Democracia, que liga El Progreso às cidades próximas de La Lima e San Pedro Sula, acrescentou Cerrato.

Hoje, foram registradas em Tegucigalpa a explosão de duas bombas, uma na Suprema Corte de Justiça e outra na sede do “Canal 10 Televisión Educativa Nacional”. Não houve vítimas.

O edifício da Suprema Corte sofreu pequenos danos menores em apenas um lado, enquanto a sede do “Canal 10” ficou com vidros quebrados no primeiro e segundo andares, de acordo com uma jornalista do próprio veículo.

Cerrato disse que se investiga o tipo de material explosivo utilizado.

Nas últimas semanas, algumas das principais cidades hondurenhas foram alvos de explosões de bombas caseiras e inclusive de armamento militar, segundo a Polícia, sem provocar feridos.

Até agora, os eventos violentos não alterarão o processo eleitoral, segundo as autoridades do Tribunal Supremo Eleitoral hondurenho (TSE), que já distribuiu a maior parte do material para as eleições do domingo com apoio das Forças Armadas e da Polícia.

Cinco partidos políticos participarão das eleições do domingo, embora apenas dois dos candidatos à Presidência, Porfirio Lobo, do opositor Partido Nacional, e Elvin Santos, do governante Partido Liberal, ao qual pertencem Zelaya e Micheletti, têm chances de vencer, segundo as pesquisas.

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