A comissão de Roberto Micheletti voltou hoje a dizer que o presidente de fato de Honduras está disposto a renunciar ao cargo se o governante deposto, Manuel Zelaya, desistir do poder, na contraproposta que tinha anunciado para esta sexta-feira com o propósito de salvar o diálogo.
Em oportunidades anteriores, esta mesma proposta já tinha sido rejeitada.
A contraproposta ocorre depois que Zelaya encerrou as negociações com o regime de fato nesta madrugada, e que nesta sexta-feira acusa Micheletti de zombar do diálogo.
A declaração de hoje de Micheletti indica que a delegação esperará o dia todo por uma resposta da outra parte, que deu o diálogo por finalizado após vencer à meia-noite um ultimato a Micheletti, para que aceite que a restituição de Zelaya seja determinada pelo Congresso.
“Os interesses de Micheletti e Zelaya devem ser secundários ao interesse de nossa nação”, disse Vilma Morales, porta-voz da comissão do presidente de fato.
A comissão de Micheletti expressou enorme surpresa porque um negociador de Zelaya, por telefone, classificou como “positiva” e na “direção correta” a proposta apresentada na quinta-feira, mas que acabou sendo rejeitada.
“Não sabemos o que aconteceu entre esse telefonema e o momento em que a proposta foi discutida com Zelaya. Só podemos perceber que o interesse pessoal foi priorizado”, acrescentou.
Zelaya considera que deve ser o Congresso Nacional o responsável por decidir a questão, enquanto o presidente de fato insiste que quem deve fazê-lo é a Corte Suprema de Justiça.