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Mundo

Micheletti e Lobo acusam Zelaya de tentar enganar autoridades

Arquivo Geral

10/12/2009 0h00


O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, e o chefe de Estado eleito, Porfirio Lobo, acusaram hoje o governante deposto, Manuel Zelaya, de ter tentado “enganar” as autoridades ao pedir um salvo-conduto para viajar ao México.

Zelaya, por sua vez, disse que o Governo de Micheletti, em troca do salvo-conduto, tentou fazê-lo assinar uma declaração na qual admitiria não ser mais o presidente de Honduras, o que foi confirmado pelo chanceler do Governo interino, Carlos López.

“Mais uma vez, ele enganou aqueles que querem a paz e a tranquilidade neste país com mentiras e falácias. Da embaixada do Brasil (onde Zelaya permanece), quiseram surpreender Honduras de novo”, declarou Micheletti durante um ato militar.

“A todos os outros países irmãos que se envolverem em um ato desta natureza, pedimos que respeitem a soberania desta pequena nação”, acrescentou.

Ontem, ao considerá-lo “improcedente”, o Governo interino negou a Zelaya um salvo-conduto para que deixasse a embaixada do Brasil, onde está instalado desde 21 de setembro, e viajasse para o México.

As autoridades golpistas disseram que recusaram o documento porque não foi indicado qual status “jurídico” as autoridades mexicanas dariam ao presidente derrubado.

Lobo e Zelaya revelaram à imprensa local que hoje se reuniriam na República Dominicana, na presença do presidente deste país, Leonel Fernández, para dialogar sobre a crise política que Honduras vive desde o golpe de Estado de 28 de junho.

Segundo Lobo, Fernández esperava Zelaya quando, ontem à noite, “foi surpreendido” pela informação de que a ida do presidente deposto para o México estava sendo negociada.

“Ou seja, isso meio que foi um teatro”, acrescentou o chefe de Estado recém-eleito.

Zelaya, por sua vez, disse que recebeu um telefonema do presidente Leonel Fernández para que participasse de um “processo de diálogo” para o qual Lobo também tinha sido convidado.

“Eu disse ao presidente Leonel Fernández que concordava totalmente em participar (da iniciativa), que eu não tinha nenhum problema em estar presente e depois voltar a Honduras, para a sede diplomática do Brasil”, acrescentou.

Depois, “falamos por telefone com o embaixador (dos EUA) Hugo Llorens e, ao mesmo tempo, conseguimos falar com o do México para ver se o processo poderia começar no México. Daí surgiu toda a confusão registrada ontem”, acrescentou Zelaya sobre sua possível ida para o país vizinho aos Estados Unidos.

Lobo disse que Fernández procurou-o há dois dias para convidá-lo para uma reunião com Zelaya, após a decisão do Congresso hondurenho de não restituir o governante deposto ao poder.

O chefe de Estado recém-eleito respondeu que iria “com toda boa vontade” e combinou com seu interlocutor que nesta quinta-feira chegaria à República Dominicana. O acertado, segundo Lobo, é que Fernández se reuniria hoje com ele e Zelaya e, amanhã, as partes assinariam “um acordo para levar paz à nação”.

Porém, em um conversa ontem à noite com o presidente nicaraguense, Daniel Ortega, Zelaya revelou que pretendia viajar imediatamente para o México e participar da cúpula da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), que acontecerá neste fim de semana, em Cuba.

Com a frustrada viagem de Zelaya ao México, a crise política hondurenha tomou um novo rumo.

Além disso, o Governo do México disse hoje que, no momento, não tem como acolher Zelaya, de quem teria partido o pedido para ser recebido no país.

Também nesta quinta-feira, Micheletti exigiu que o mundo respeite seu país, onde disse que sobra dignidade em cada um dos hondurenhos. Ele afirmou ainda que ontem “houve um conflito que se tornaria nacional”, em alusão à frustrada tentativa de Zelaya de ir para o México.

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