O presidente de fato de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou nesta terça-feira que não haverá regras para a crise política no país antes das eleições de 29 de novembro próximo, e reiterou que o deposto Manuel Zelaya não será restituído no poder.
“Não vamos regular absolutamente nada, nem o diálogo nem nada, se não for posterior às eleições”, afirmou Micheletti em coletiva de imprensa.
“Tudo deve ir daqui em adiante (vinculado com) o tema das eleições”, acrescentou, em relação ao pleito que a comunidade internacional já advertiu que não reconhecerá caso Zelaya não volte ao poder.
O líder golpista disse que no fim de semana passado conversou por telefone com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton.
Segundo ele, na conversa foi falado de, entre outros assuntos, as eleições, o diálogo com os representantes de Zelaya e a visita do secretário de Estado adjunto para a América Latina americano, Thomas Shannon, que chegará nesta quarta a Tegucigalpa.
Michelleti disse que colocou a Hillary a possibilidade de deixar a Presidência se Zelaya desistir de voltar ao poder, como tinha sugerido na sexta-feira passada a uma comissão do deposto presidente, que rejeitou a oferta.
O presidente de fato afirmou também que expôs à chefe da diplomacia americana sua preocupação com a constante chegada de pequenos aviões de bandeira venezuelana com cargas de droga a Honduras e pediu a cooperação dos EUA para enfrentar isso.
“É importante que o Exército americano nos dê espaço para poder utilizar os radares deles e podermos detectar (as aeronaves)”, manifestou.
Segundo Micheletti, dos 40 aviões que chegaram a Honduras nos últimos meses, 38 eram de bandeira venezuelana, um colombiana e outro brasileira.