“Pretendo me ausentar do exercício das minhas funções públicas por um período que poderia iniciar em 25 de novembro e terminar dia 2 de dezembro, decisão que tomarei em consulta com os representantes dos diversos setores do país que acompanharam todo este processo”, disse Micheletti em mensagem à nação.
Micheletti não disse quem liderará o Executivo na sua ausência, mas ressaltou que de acordo à Constituição o “Governo operará de maneira normal”.
“Meu propósito, com esta medida, é que a atenção de todos os hondurenhos e hondurenhas esteja concentrada no processo eleitoral e não na crise política”, acrescentou em seu discurso, transmitido por rádio e televisão, em alusão à situação que vive o país pelo golpe de Estado de 28 de junho contra Manuel Zelaya.
Micheletti, designado pelo Parlamento para substituir a Zelaya, explicou que deixar o poder temporariamente porque “considera prudente abrir um espaço de reflexão para que os hondurenhos e hondurenhas ponderem a importância do voto e a responsabilidade de escolher” o próximo Governo.
Comentou que “esta decisão poderia ser mal interpretada intencionalmente por aqueles que com sua conduta errática e sua intenção de provocar discórdia dirão que é um sinal de fraqueza” de seu Governo, mas assegurou que “é o contrário”.
“Minha atuação deve ser interpretada como um sinal de fortaleza e confiança total e inquestionável na institucionalidade de nosso país, que fica demonstrada com fatos, com realidades e não com palavreado”, apontou.
Advertiu que voltará a assumir “imediatamente” o poder “se infelizmente ocorre algum transtorno da ordem e da segurança, que ameace a paz da nação e a tranquilidade do povo hondurenho”.
“E ditarei com vigor e com firmeza as medidas que sejam necessárias para garantir a ordem”, indicou.
“Também quero dar o exemplo e reiterar ao cidadão José Manuel Zelaya Rosales a obrigação que devemos honrar (…) encaminhada a guardar o mais profundo silêncio e respeito” à lei, disse.
A data anunciada por Micheletti para seu retorno, 2 de dezembro, é a mesma na qual o Parlamento debaterá se restitui ou não a Zelaya, decisão que tomará no marco do acordo assinado dia 30 de outubro por delegados de ambos lados.