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Mundo

Micheletti anuncia que deixará Governo temporariamente pelas eleições

Arquivo Geral

20/11/2009 0h00

O presidente golpista de Honduras, Roberto Micheletti, anunciou hoje que se ausentará do Governo do país entre os dias 25 de novembro e 2 de dezembro para permitir um período “de reflexão” aos hondurenhos por ocasião das eleições gerais marcadas para o próximo dia 29.

“Pretendo me ausentar do exercício das minhas funções públicas por um período que poderia iniciar em 25 de novembro e terminar dia 2 de dezembro, decisão que tomarei em consulta com os representantes dos diversos setores do país que acompanharam todo este processo”, disse Micheletti em mensagem à nação.

Micheletti não disse quem liderará o Executivo na sua ausência, mas ressaltou que de acordo à Constituição o “Governo operará de maneira normal”.

“Meu propósito, com esta medida, é que a atenção de todos os hondurenhos e hondurenhas esteja concentrada no processo eleitoral e não na crise política”, acrescentou em seu discurso, transmitido por rádio e televisão, em alusão à situação que vive o país pelo golpe de Estado de 28 de junho contra Manuel Zelaya.

Micheletti, designado pelo Parlamento para substituir a Zelaya, explicou que deixar o poder temporariamente porque “considera prudente abrir um espaço de reflexão para que os hondurenhos e hondurenhas ponderem a importância do voto e a responsabilidade de escolher” o próximo Governo.

Comentou que “esta decisão poderia ser mal interpretada intencionalmente por aqueles que com sua conduta errática e sua intenção de provocar discórdia dirão que é um sinal de fraqueza” de seu Governo, mas assegurou que “é o contrário”.

“Minha atuação deve ser interpretada como um sinal de fortaleza e confiança total e inquestionável na institucionalidade de nosso país, que fica demonstrada com fatos, com realidades e não com palavreado”, apontou.

Advertiu que voltará a assumir “imediatamente” o poder “se infelizmente ocorre algum transtorno da ordem e da segurança, que ameace a paz da nação e a tranquilidade do povo hondurenho”.

“E ditarei com vigor e com firmeza as medidas que sejam necessárias para garantir a ordem”, indicou.

“Também quero dar o exemplo e reiterar ao cidadão José Manuel Zelaya Rosales a obrigação que devemos honrar (…) encaminhada a guardar o mais profundo silêncio e respeito” à lei, disse.

A data anunciada por Micheletti para seu retorno, 2 de dezembro, é a mesma na qual o Parlamento debaterá se restitui ou não a Zelaya, decisão que tomará no marco do acordo assinado dia 30 de outubro por delegados de ambos lados.

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