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Mundo

Mianmar aceita entrada no país de enviado especial da ONU

Arquivo Geral

27/09/2007 0h00

O Governo de Mianmar (antiga Birmânia) permitirá a entrada de Ibrahim Gambari, view o representante especial do secretário-geral da ONU que na quarta-feira foi enviado ao país asiático para avaliar a deteriorada situação política, informou hoje as Nações Unidas.

O ministro das Relações Exteriores de Mianmar, Nyan Win, comunicou hoje ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que será concedido um visto a Gambari para que ele possa viajar ao país, disse Marie Okabe, porta-voz do organismo.

Gambari partiu na noite de quarta-feira a Bangcoc, capital da vizinha Tailândia, sem saber se a Junta Militar que governa Mianmar há 45 anos o deixaria entrar.

A viagem de Gambari acontece em meio a uma crescente rejeição internacional à resposta violenta da Junta Militar às manifestações de monges e civis, que deixaram pelo menos dez mortos, entre eles um fotógrafo japonês.

Os ministros de Assuntos Exteriores dos países-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), reunidos à margem da Assembléia Geral da ONU, expressaram em comunicado sua “repulsa” às ações do Governo birmanês.

Também pediram que “exerçam a máxima contenção e busquem uma solução política” à crise vivida no país.

“Nós nos sentimos horrorizados com as informações de que foram empregadas armas automáticas e exigimos ao Governo de Mianmar que desista imediatamente do uso da violência contra os manifestantes”, acrescentou o grupo, ao que pertence Mianmar, mas não a China.

A reação dos países asiáticos foi bem-vinda pelo ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, que na quarta-feira se mostrou decepcionado com a recusa da China de permitir que o Conselho de Segurança condenasse os militares birmaneses.

“A Asean é muito importante e esta declaração é para ser levada em conta, porque os asiáticos são os únicos capazes de exercer uma pressão eficiente sobre o Governo de Mianmar”, disse Kouchner.

A repressão das manifestações e protestos pacíficos iniciados há dez dias pelos monges budistas se recrudesceu hoje, apesar do Conselho de Segurança da ONU pedir na quarta-feira à Junta Militar que contivesse seus atos violentos contra a população civil.

As forças de segurança birmanesas, que até o momento detiveram cerca de mil pessoas, abriram fogo hoje em duas frentes contra milhares de manifestantes em Tamew, distrito do leste de Yangun, segundo relatos de testemunhas. 

Atualizada às 16h16 

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