O serviço de espionagem britânico justificou a cooperação do Reino Unido com agências secretas de outros países acusadas de abusos e torturas contra suspeitos detidos na guerra antiterrorista.
Na quinta-feira à noite, em um ato privado na Universidade de Bristol em comemoração ao centenário do MI5 (agência de segurança interna do Reino Unido) o diretor-geral, Jonathan Evans, disse que as confissões dos suspeitos de terrorismo ajudaram a salvar vidas no país, informou a agência de notícias “Press Association”.
Evans reconheceu que a colaboração com agências de outras nações com práticas diferentes trouxe um dilema ao serviço, mas insistiu na total confiança nos funcionários britânicos para resolução desses problemas.
Os comentários ocorrem em um momento em que o MI5 responde à acusação nos tribunais civis por cumplicidade nos maus-tratos de suspeitos de terrorismo em outros países.
Evans não comentou diretamente as acusações, mas assinalou que “há um princípio claro segundo o qual o MI5 não pode ser cúmplice de torturas nem solicitar que terceiros torturem em seu nome para extrair confissões”.
Pareceu justificar, no entanto, ao assinalar que era necessário observar a luta antiterrorista a partir dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, quando os países ocidentais se viram expostos a uma ameaça terrorista indiscriminada, global e em massa.
“Oito anos depois, entendemos melhor a natureza e a magnitude da Al Qaeda, mas é algo que não ocorria imediatamente após 11 de setembro”, assinalou.
“Vimos morrer nos EUA quase 3 mil pessoas, 67 delas britânicas. Sabíamos que o 11 de setembro não acabaria com as ambições da Al Qaeda e que existia uma possibilidade real de novos ataques, talvez de modo iminente”, acrescentou o chefe do MI5.
Segundo Evans, os recursos disponíveis aos serviços de inteligência não se adequavam à nova situação e a raiz do problema terrorista estava em áreas do mundo onde as práticas de segurança estavam muito afastadas das nossas.
“Não teríamos cumprido com nosso dever sem as alianças com outros países munidos de informações que podiam proteger este país de eventuais ataques”, afirmou.