A chanceler alemã, Angela Merkel, voltou a rejeitar os eurobônus no Parlamento, e insistiu na ideia de que seriam necessárias modificações nos tratados europeus.
Merkel disse que é “lamentável e inadequado” que a Comissão Europeia tenha colocado os eurobônus como tema central de discussão. A ideia de aumentar a capacidade de ação do Banco Central Europeu (BCE) para comprar dívida soberana também não é aceita por ela.
“A ideia é de que através da coletivização da dívida superaríamos os problemas estruturais da União Monetária e isso não pode funcionar”, disse Merkel durante o debate parlamentar sobre os orçamentos alemães.
O presidente do opositor Partido Social-Democrata (SPD), Sigmar Gabriel, afirmou que Merkel teve várias mudanças de posição sobre a crise europeia, o que teria contribuído para as turbulências nos mercados.
Já Merkel atribuiu as últimas turbulências ao perdão da dívida grega, que classificou como inevitável, e ressaltou que a Grécia representa um caso excepcional que não pode chegar a outros países europeus.
A chanceler reiterou que os problemas centrais da crise estão na “alta dívida de alguns Estados e em erros de construção da União Monetária”.
Ela acrescentou que é necessário criar um imposto às transações financeiras na Europa e lamentou que as negociações para introduzir esta taxa em nível global não tenham progredido.
Gabriel acusou Merkel de aconselhar a economia europeia enquanto seu país enfrenta um aumento do déficit nos orçamentos para 2012, que de acordo com o presidente do SPD seria 4 bilhões de euros superior ao deste ano, apesar do aumento na arrecadação de impostos.
O opositor acusou o Governo de Merkel de ter falhado ao enfrentar a crise europeia, por considerar durante muito tempo que a situação podia ter soluções nacionais.
Para ele, a chanceler se equivoca ao bloquear uma solução europeia e levar os parceiros a uma política que com o tempo causa mais desemprego e mais dívida.