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Mundo

Meio-irmão de Obama fala de maus-tratos em livro <i>semiautobiográfico</i>

Arquivo Geral

04/11/2009 0h00

Mark Ndesandjo, meio-irmão do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e que vive na China há sete anos, falou hoje de seu romance “De Nairóbi a Shenzhen”, uma história que classificou como “semiautobiográfica” e na qual aborda a violência doméstica.

“O livro foi escrito em inglês e conta a história de David, um garoto que viaja à China durante os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e se apaixona por uma jovem com a qual tem um filho”, disse Ndesandjo à imprensa.

Segundo o meio-irmão de Obama, “quando David chega à China, começa a lembrar de sua vida nos EUA e no Quênia e a refletir sobre as complicadas relações que existiam em sua família”.

E, assim, David lembra de como o pai maltratava a mãe e das tentativas desta de convencer os filhos de que o marido, no fundo, era uma boa pessoa, contou Ndesandjo, graduado em Física pela Universidade de Brown, nos EUA.

Para escrever o livro, o meio-irmão do presidente se inspirou em sua própria história. Após passar sua juventude no Quênia, ele foi morar nos Estados Unidos, onde se formou. De lá, emigrou para a China.

No entanto, essa não é a única “coincidência” entre autor e personagem principal. Durante a entrevista coletiva, Ndesandjo afirmou ter sido agredido por seu pai, de quem Barack Obama também é filho.

“Meu pai batia em mim e na minha mãe”, disse, ao lembrar de Barack Hussein Obama Sr., que morreu em um acidente de trânsito em 1982, aos 46 anos.

“Lembro-me de ouvir gritos em minha casa e do sofrimento de minha mãe. Era apenas uma criança e não podia protegê-la”, alegou.

“Não tenho boas lembranças de meu pai. Minha pele se endureceu emocionalmente durante muitos anos”, assegurou.

Ele ainda afirmou que as más recordações o fizeram deixar de usar o sobrenome Obama, mas que cogita voltar atrás na decisão por sentir gratidão e orgulho do meio-irmão presidente que, “nos tempos difíceis, nunca deixou de ajudá-lo”.

Ndesandjo vive há sete anos na cidade de Shenzhen – na fronteira com Hong Kong -, fala mandarim, toca piano e é casado com uma chinesa.

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