Os presidentes da Rússia, dosage Dmitri Medvedev, web e seu colega ucraniano, Viktor Yushchenko, conversaram hoje sobre os assuntos bilaterais mais espinhosos, como os planos da Ucrânia de ingressar na Otan e a posição da frota russa na Criméia.
Em sua primeira reunião com Yushchenko desde que foi eleito há um mês, o governante russo reiterou o descontentamento de Moscou pelas intenções da Ucrânia de ingressar na Otan, que em sua opinião violariam o tratado bilateral de amizade e cooperação.
“O tratado supõe que nenhum dos dois países criará ameaças para o outro”, repetiu à imprensa as palavras de Medvedev o chefe da diplomacia russa, Sergey Lavrov, citado pela agência “Interfax”.
Moscou continua, na prática, considerando a Otan como um bloco político-militar hostil. Para este Governo “a possível adesão da Ucrânia à Aliança cria cada vez mais dúvidas e obriga a Rússia a se preocupar com sua segurança”, disse Lavrov.
“Somos países vizinhos, que formam suas relações a um nível estratégico, e precisamente por essa proximidade, surgem complicações em muitos assuntos, mas as resolveremos sem falta”, respondeu o líder ucraniano ao seu interlocutor.
Medvedev criticou também as “medidas unilaterais” adotadas pela Ucrânia em relação à frota russa do Mar Negro, cuja base é até 2017 o porto ucraniano de Sebastopol, em virtude de um convênio bilateral assinado em 1997 por vinte anos.
Yushchenko ordenou recentemente preparar os documentos para a evacuação da frota russa em 2017, já que a Constituição do país proíbe a presença de bases estrangeiras, enquanto a Rússia deseja prolongar o acordo para que sua Armada permaneça em Sebastopol.
Em resposta, o Parlamento russo propôs ao Kremlin esta semana abandonar o tratado bilateral com a Ucrânia e alguns políticos sugeriram inclusive reivindicar Sebastopol e a península da Criméia.
“O tratado bilateral permite prolongar a estadia da Armada. Preparar a saída de nossa frota nove anos antes do vencimento do prazo não é precisamente o enfoque que esperamos de nossos parceiros”, disse Lavrov.
Lavrov insistiu que “a ampliação da Otan, contra o que tinha sido prometido à Rússia, e o avanço de sua infra-estrutura militar para o Leste obrigam a se perguntar sobre os verdadeiros objetivos da Aliança”.
Além disso, “o processo da transformação da Otan não concluiu” e há propostas de empregar a força com mais freqüência, por isso “o ingresso na Aliança não aumenta a segurança de nenhum país”, assegurou.
Por outro lado, o presidente russo anunciou a Yushchenko que o preço do gás para a Ucrânia “será quase o dobro” a partir de 1º de janeiro de 2009, devido à alta dos combustíveis dos países da Ásia Central que chegam à Ucrânia através do território russo.
“O mais rápido possível passaremos aos preços de mercado, melhor será para a economia do país”, respondeu Yushchenko, que pediu a Ucrânia que participe das negociações da Rússia com os fornecedores de gás de Ásia Central sobre os volumes a importar em 2009.
Sem anunciar a consecução de nenhum acordo, os dois presidentes concordaram realizar vários encontros de trabalho nos próximos meses, e Yushchenko convidou Medvedev para fazer uma visita de Estado à Ucrânia no segundo semestre do ano.