O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse hoje que a Rússia evitou o pior da atual crise financeira global e ressaltou a necessidade de modernizar a economia do país em um prazo de 10 a 15 anos.
“Conseguimos evitar o pior das consequências financeiras diretas da crise, relativas ao desemprego, aos bancos e ao funcionamento do setor real da economia”, disse Medvedev, em entrevista divulgada por agências russas.
O chefe do Kremlin assegurou que isto foi possível graças às “sensatas medidas anticrise” adotadas pelo Estado, como a ajuda direta aos bancos, que, graças à injeção de fundos, resistiu ao impacto da crise e “agora se sente normal”.
Desta forma, o Estado pôde destinar fundos à indústria, em particular à militar, e à agricultura, ajudando a manter a liquidez de diversas empresas, segundo Medvedev.
“Ao controlar a situação no setor financeiro, criamos condições mais ou menos aceitáveis para o funcionamento da indústria e da agricultura. Este foi um momento-chave”, disse, segundo a agência “Interfax”.
O presidente da Rússia admitiu que a depreciação da moeda nacional afetou a renda das pessoas, mas ressaltou que o país conseguiu evitar uma brusca desvalorização do rublo, que agora se recupera devido tanto às medidas anticrise, quanto ao aumento dos preços do petróleo.
O líder russo acredita que o país seguirá enfrentando problemas no ano que vem, mas que o considerável déficit previsto no orçamento de 2010, após vários anos de superávit, “não é nenhum drama, nem catástrofe para a economia”.
“Nossa tarefa consiste em conseguir dentro de um ano um orçamento sem déficit. Este é o alvo para o qual devem apontar todas as decisões do Governo e todo nosso trabalho”, disse.
Também assegurou que, durante e depois da crise, o Estado manterá uma política marcadamente social para proteger os setores mais desprotegidos da população e, ao mesmo tempo, proteger sua capacidade aquisitiva, apoiando, assim, o mercado interno.
Por outra parte, o presidente insistiu em que modernizará a economia da Rússia de uma vez por todas, e afirmou que “o prazo de 10 a 15 anos é um horizonte razoável, após o qual devemos ver uma economia nova”.