A camareira Sade Anding, ex-namorada de Conrad Murray, participou nesta terça-feira (4) do julgamento da morte de Michael Jackson, já que o médico, acusado de homicídio involuntário, falou com ela pelo telefone nos últimos momentos de vida do cantor.
Sade declarou que Murray ligou no dia 25 de junho de 2009 e, após uma troca de saudações, ela começou a contar como estava sendo seu dia, porém, o médico já tinha deixado de escutá-la.
“Ouvi ruídos, barulhos e tosse”, disse Sade, que após alguns minutos tentando falar com Murray, desistiu por não obter resposta. A testemunha, que conheceu o médico quando trabalhava como camareira no Texas, informou que foi incapaz de identificar a origem dos sons do outro lado da linha, e se a tosse era do doutor ou de outra pessoa.
Michael Jackson morreu no mesmo dia da ligação, apesar de não ser conhecido precisamente o momento em que o astro sofreu a parada cardiorrespiratória. Segundo os analistas, o testemunho de Sade mostrou o momento em que Murray – que passava as noites na casa de Jackson, onde administrava seus medicamentos para dormir – percebeu pela primeira vez que seu paciente tinha problemas.
Entre a conversa de Murray com Sade e a ligação para os serviços de emergências efetuadas pelo guarda-costas do artista, Alberto Álvarez, passaram apenas 30 minutos. A promotoria espera mostrar ao júri que o médico pessoal de Jackson cometeu uma “negligência flagrante” ao cuidar do artista, já que as próprias ações de Murray o transformaram no responsável direto da morte do cantor.
Michael Jackson morreu por uma overdose de remédios, especialmente pelo uso do anestésico propofol, mesmo medicamento que o médico admitiu ter dado ao cantor antes de sua morte. Por outro lado, a defesa de Murray garante que foi o próprio artista, viciado em remédios, que aproveitou a distração do médico para aplicar o propofol, uma substância que ele mesmo chamava de “leite”.
Durante esta terça, a Corte Superior de Los Angeles ouviu outras duas mulheres que se relacionaram com o médico, cuja vida privada foi posta em evidência pela acusação, apesar de o tribunal limitar as informações particulares ao júri.
Murray, de 58 anos, é casado, mas teve sete filhos com seis mulheres diferentes. Por sua vez, a promotoria tentou mostrar Murray como uma pessoa que freqüenta clubes noturnos e que gosta de flertar com jovens. Pelo tribunal já passaram Michelle Bella, funcionária de uma casa noturna, e Nicole Álvarez, atriz de 29 anos e mãe do filho mais novo de Murray.
Nicole conheceu o médico no clube Crazy Horse, de Las Vegas, onde ela era dançarina. Nesta época, Nicole passou a conviver com o medico em Los Angeles, quando Murray já era médico pessoal de Jackson. A testemunha disse que Murray comentou que estava cuidando do “rei do pop” e que chegou a conhecer o artista, que, por sinal, se interessou pelo filho do casal.
Murray ligou para Nicole quando ele ainda estava na ambulância com Michael Jackson rumo ao hospital. Ele teria ligado para alertar sua “namorada” da situação, afirmando que “não havia motivos para se preocupar”, segundo disse a mulher. Nicole também afirmou que tinha planos de viajar com Murray para Londres, onde o médico iria cuidar de Jackson durante a turnê “This Is It”, que seria iniciada em julho.
O médico, que pagava o aluguel de Nicole, também recebia os medicamentos de propofol para Jackson na mesma casa. Após descrever Murray como um mulherengo perante o júri, a acusação também chamou o farmacêutico Tim López, que fornecia propofol e benoquin ao médico. Segundo Lopez, benoquin é um creme para branquear a pele, geralmente usados em pessoas com vitiligo, uma doença que Michael Jackson afirmava sofrer.