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Marido agredia Sakineh, diz advogado

Arquivo Geral

15/12/2010 10h30

Sakineh Mohammadi Ashtiani, a mulher iraniana condenada a apedrejamento por suposto adultério, sofreu durante anos agressões de seu marido, segundo a versão de seu advogado, Mohammad Mostafei.

Mostafei, que está na Noruega desde que fugiu do Irã em julho, declarou ao jornal britânico “The Times” que sua cliente está “em uma situação muito difícil” e disse temer que sua execução seja iminente.

“Antes de executar alguém, (as autoridades iranianas) mostram-nas na televisão estatal para que falem de seus crimes e condenem a si próprias”, explicou Mostafei, em referência ao ocorrido com Sakineh, que teria sido obrigada a recriar o assassinato de seu marido em um documentário para a TV.

Violando o sigilo de sua cliente, Mostafei explicou ao “The Times” que a mulher contou que vinha de uma família pobre da cidade de Osku e que seu pai a tinha obrigado a se casar com Ebrahim Ghaderzadeh, que desde o princípio “a tratou brutalmente”.

Sakineh deu dois filhos ao marido com a esperança de amenizar seu comportamento, mas ocorreu exatamente o contrário: Ghaderzadeh abusou dela física e verbalmente, não a deixava visitar seus próprios parentes e quando ela pediu o divórcio, ele o negou.

A mulher também relatou ao advogado que seu marido havia se viciado em heroína e que tinha proposto que ela se prostituísse para pagar a droga.

Em 2004, um homem a estuprou em sua casa com a aprovação do marido, segundo Sakineh teria contado entre soluços.

Segundo o advogado, seu único consolo era um parente solteiro de seu marido chamado Issa Taheri, que aproveitou a situação oferecendo sua simpatia para ganhar o afeto da mulher.

Quando Ghaderzadeh proibiu Taheri de pisar em sua casa, ele disse a Sakineh que queria matá-lo. Ela resistiu, mas ele insistiu e a convenceu dizendo que tudo o que tinha que fazer era aplicar uma injeção para que perdesse a consciência.

Supostamente, foi isso o que aconteceu em 14 de setembro de 2005, enquanto os filhos da mulher estavam fora de casa.

Após aplicar a injeção, Taheri eletrocutou o marido inconsciente, e Sakineh informou as autoridades sobre a morte, mas disse que havia sido um suicídio.

Segundo Mostafei, sua cliente é uma mulher humilde que tinha sofrido muito e que era facilmente manipulável.

Taheri foi quem matou o marido, mas o sistema penal iraniano permite que enquanto ele está livre – graças ao perdão dos filhos da vítima – Sakineh corre o risco de ser executada.

 

A mulher foi declarada culpada de cumplicidade e condenada a dez anos de prisão.

Ao mesmo tempo, foi sentenciada por relações ilícitas com um homem e recebeu 99 chibatadas. Mais tarde, foi condenada à morte por apedrejamento por adultério.

O assassino, Taheri, por não ser casado, recebeu apenas chibatadas.

Segundo Mostafei, os tribunais e a mídia controlados pelo Estado não levaram em conta as circunstâncias atenuantes do episódio e, de acordo com o advogado, o regime “ressuscitou” a acusação de assassinato para justificar a execução, apesar de Sakineh ter sido julgada há cinco anos pela morte do marido.

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