MANOELLA SMITH
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
A líder da oposição venezuelana María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, tentou voltar à Venezuela três vezes na terça-feira (22), mas não conseguiu, segundo sua equipe. As tentativas ocorreram enquanto a líder interina Delcy Rodríguez se reunia com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Foi a primeira vez que Trump se reuniu pessoalmente com Delcy desde que uma operação militar americana capturou o então ditador Nicolás Maduro, em janeiro. Delcy foi vice durante o regime de Maduro, mas, até o momento, tem liderado o país sob a batuta de Washington. Ela tem cooperado com as exigências da Casa Branca, inclusive concedendo aos EUA acesso às reservas de petróleo da Venezuela.
María Corina deixou a clandestinidade em que se encontrava na Venezuela em dezembro, quando viajou escondida para a Noruega para receber o Nobel da Paz. Após uma breve estadia nos EUA, se instalou na Cidade do Panamá, de onde tem tentado retornar ao país.
Críticos afirmam que o governo Trump deixou de lado a oposição liderada por María Corina, abandonando as exigências por eleições livres em favor de acordos de petróleo e investimentos com Delcy. A líder da oposição inclusive contestou o acordo de petróleo entre Washinton e Caracas.
Pedro Urruchurtu, assessor de María Corina, afirmou nas redes sociais que as duas tentativas mais recentes uma por mar, outra por ar somam sete fracassos desde que ela deixou a Venezuela no fim do ano passado.
Segundo reportagem do jornal espanhol ABC, que reconstruiu o histórico completo, as sete tentativas de retorno ocorreram por ar, terra e mar. A primeira, em 26 de junho, terminou com o avião privado que a levava a Curaçao sendo instruído a voltar aos EUA ainda em voo, após uma comunicação americana ao piloto. Dias depois, ela tentou embarcar em um voo comercial da Copa Airlines rumo a Caracas, mas a companhia havia recebido advertência de Caracas sobre possíveis sanções caso a transportasse.
As tentativas seguintes incluíram um plano por rota terrestre, nunca executado, e uma combinação de trajetos aéreo e marítimo. A mais elaborada, segundo o ABC, ocorreu em 21 de setembro. Uma pequena embarcação partiria do Panamá, cruzaria o Canal e navegaria dois dias até o Caribe. O plano foi cancelado horas antes da saída por um problema no motor.
As três últimas tentativas aconteceram todas no Panamá, em menos de 24 horas, depois que o plano do barco foi cancelado. Primeiro, a equipe buscou um voo alternativo para Aruba, mas o pouso não foi autorizado. No mesmo dia, tentaram ainda dois voos um para Curaçao e outro para Bonaire, mas nenhum dos dois recebeu autorização de pouso.
O ABC informou que a líder venezuelana usou um passaporte diplomático panamenho emitido por razões humanitárias.
Após os terremotos gêmos que atingiram a Venezuela em juho, autoridades americanas teriam pedido reservadamente que María Corina adiasse seu retorno e se opuseram às suas tentativas de entrar novamente no país, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A líder opositora está exilada desde o final do ano passado. Anteriormente, ela passou um período escondida após a eleição de 2024 que reconduziu Maduro ao poder e foi acusada de fraude. María Corina prometeu repetidamente retornar à Venezuela após a captura de Maduro. Seu retorno, no entanto, continua incerto.