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Mundo

Manifestantes são condenados à prisão em Cuba por protestos durante apagão

Julgamento em Villa Clara ocorreu em meio à grave crise energética; ONG denuncia criminalização de protestos cívicos

Redação Jornal de Brasília

24/10/2025 17h18

Foto: ADALBERTO ROQUE / AFP

Foto: ADALBERTO ROQUE / AFP

Um tribunal de Cuba condenou seis manifestantes a até seis anos de prisão por um protesto em 2024 contra a falta de energia elétrica, segundo o expediente do caso, ao qual a AFP teve acesso.

O julgamento foi realizado na sala dos crimes contra a segurança do Estado do Tribunal Provincial de Villa Clara. Três dos seis manifestantes receberam penas de seis anos de prisão, e os outros três, de cinco, segundo o documento de sentença.

Centenas de pessoas, entre elas os seis condenados, foram às ruas do povoado de Manicaragua em 20 de outubro de 2024, enquanto o país estava às escuras devido ao colapso do sistema elétrico, detalha a documentação. Os manifestantes dirigiram-se ao governo local “com o objetivo de exigir energia”, batendo panelas e outros objetos metálicos para produzir sons elevados, com o que afetava-se a tranquilidade dos cidadãos”, e “interromperam a circulação viária”.

O Observatório Cubano de Direitos Humanos, com sede em Madri, apontou que as sentenças buscam “criminalizar o protesto cívico, servindo como instrumento de repressão e anulação de direitos humanos”, e são proferidas “em um contexto de recrudescimento da repressão como única resposta aos problemas sociais graves”.

Esse tipo de protesto, antes impensável na ilha, governada pelo Partido Comunista, disparou desde 2022. Em meio a uma crise energética grave, Cuba enfrentou cinco apagões generalizados em um ano.

No mês passado, 15 manifestantes foram condenados a penas de até nove anos de prisão, após participarem de protestos em Bayamo por falta de energia elétrica e alimentos.

Cento e oitenta pessoas foram presas no contexto de protestos motivados por apagões entre 2022 e setembro de 2025, informou no mês passado à AFP Laritza Diversent, diretora da ONG Cubalex. Segundo ela, trata-se de “um sub-registro, a partir de denúncias feitas no momento das detenções”.

AFP

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