Um manifestante morreu nesta quinta-feira baleado no centro de Túnis, depois que a Polícia avançou contra uma manifestação de professores e estudantes perto da avenida Habib Bourguiba, disseram à Agência EFE fontes da oposição e testemunhas.
As forças policiais tentaram impedir os manifestantes que estavam ruas adjacentes de chegarem na avenida Bourguiba, a mais popular de Túnis. Para isso, empregaram gás lacrimogêneo e, posteriormente, armas de fogo, segundo as fontes citadas.
Um professor que tentava participar da manifestação indicou à EFE que compareceu ao ato em protesto pela morte na quarta-feira do professor universitário franco-tunisiano Hatem Betahar, na cidade de Douz, no sul do país.
No centro de Túnis os pedestres viveram momentos de grande tensão e fugiram apavorados para todas as direções perante o lançamento de bombas lacrimogêneas.
Com a dissolução da manifestação, na parte antiga de Túnis, grupos de jovens enfrentaram policiais e lançaram coquetéis molotov contra a sede do partido no poder, o Reagrupamento Constitucional Democrático (RCD), e vários escritórios bancários.
Dezenas de pessoas procuraram os hospitais com crises respiratórias ou de nervos depois que a saída para as ruas do centro da capital ficaram bloqueadas.
Perante a situação, o Governo decidiu antecipar em duas horas o começo do toque de recolher decretado na quarta-feira na capital, por isso a proibição de sair à rua entrou em vigor nesta quinta-feira às 18 horas (15h de Brasília).
Também ocorreram nesta quinta-feira distúrbios nas cidades de Nabel e Dar Chabán, perto da localidade turística de Hammamet, onde várias pessoas tiveram que buscar refúgio em casas de amigos e conhecidos diante do medo de serem arrastadas pelos manifestantes, que incendiaram um escritório dos Correios e uma Delegacia de Polícia.
Está previsto que o presidente do país, Zine el Abidine Ben Ali, volte a se dirigir, nesta quinta-feira, aos tunisianos às 20 horas (17h de Brasília), no seu terceiro discurso desde o início dos distúrbios em meados de dezembro.
O último número oficial de vítimas divulgado pelo Governo na terça-feira falava de 21 mortos em todo o país, enquanto os partidos de oposição e os sindicatos elevam o balanço para mais de 50 vítimas fatais.