Manifestações contra o governo do presidente argentino Javier Milei terminaram em confrontos com policiais nesta quinta-feira (15/10). Os protestos, convocados por universidades, reuniam multidões em frente ao Congresso Nacional, em Buenos Aires, e em outras cidades.
O ato principal reivindicava o cumprimento de uma lei que reverte cortes no orçamento universitário, ignorada pelo governo apesar de decisões judiciais. A mobilização paralisou o centro de Buenos Aires.
Antes do ato principal, ocorreram choques entre policiais e um grupo minoritário entre os manifestantes em frente ao Congresso. Os confrontos resultaram em feridos e anteciparam o fim do protesto.
Os manifestantes eram em sua maioria estudantes, professores e cidadãos independentes. Os protestos também se repetiram em outras cidades importantes, como Rosário e Córdoba.
A Universidade de Buenos Aires (UBA) estimou que seu corpo docente perdeu cerca de 30% do salário sob a gestão de Milei. A instituição convocou a manifestação com a mensagem “Não vamos normalizar o descumprimento da lei”.
“Nossa reivindicação é pelo financiamento, pelo orçamento universitário que o governo não cumpre há mais de 350 dias. Vamos continuar lutando pela universidade pública, gratuita e de qualidade”, disse à Reuters o professor Juan Sgró, da Faculdade de Artes da Universidade Nacional de Córdoba.
O protesto reflete o descontentamento de parte da classe média argentina com os cortes aplicados pelo governo em setores como educação e saúde. A popularidade do presidente ultraliberal é baixa, conforme pesquisas de opinião.