O primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, anunciou hoje a criação de uma nova plataforma política, a coalizão Estado de Direito, com a qual concorrerá às eleições parlamentares previstas para janeiro do próximo ano.
A coalizão, que nasce pouco mais de um mês depois da formação da Aliança Nacional Iraquiana pelos atuais aliados do Governo de Maliki, é formada por 40 partidos políticos e dominada por grupos xiitas, mas também conta com pequenas entidades curdas, sunitas e cristãs.
O anúncio, transmitido ao vivo pela televisão estatal “Al Iraquiya”, foi realizado durante uma cerimônia na protegida Zona Verde, no centro de Bagdá.
A coalizão de Maliki, presidente do partido Dawa, enfrentará uma dura concorrência com seus rivais e atuais parceiros no poder unidos em torno da Aliança Nacional Iraquiana, presidida pelo ex-primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari.
A Aliança Nacional Iraquiana conta também com o apoio do influente Conselho Supremo Islâmico do Iraque, liderado por Amar al-Hakim, após a morte de seu pai e anterior líder, Abdel Aziz al-Hakim.
Durante a apresentação da nova coalizão, Maliki, recebido pelos líderes dos diversos grupos que integram a nova plataforma política, detalhou as prioridades de seu programa político.
O dirigente xiita insistiu na soberania e na independência do Iraque e em seu compromisso com a luta contra “qualquer tentativa de minar a união nacional”.
O atual primeiro-ministro também insistiu na natureza árabe e islâmica do país, e destacou sua intenção de formar um “forte Governo” responsável único pela política externa, defesa e segurança.
Segundo Maliki, outro objetivo da coalizão será combater a discriminação por razões religiosas, comunitárias ou sectárias, assim como proteger a liberdades dos cidadãos.
A mulher também conta com um papel importante entre as prioridades anunciadas por Maliki, junto com a necessidade de fortalecer o sistema judiciário e reativar o papel das organizações da sociedade civil.
Entre os pontos que lideram o que será o programa eleitoral da coalizão para as parlamentares de janeiro, o líder xiita ressaltou o monopólio do Estado sobre a posse de armas, “em sua responsabilidade de manter a segurança e de manter as forças de segurança longe da política”.
Também prometeu continuar o combate contra o terrorismo, especialmente a partir de dezembro de 2011, coincidindo com a retirada total das tropas americanas do país.
Maliki, que aproveitou a ocasião para pedir aos iraquianos a participar de maneira ativa nas próximas eleições, descreveu o nascimento da coalizão Estado de Direito como um “ponto de inflexão histórico” no caminho para a criação de um Estado moderno longe da marginalização e da exclusão políticas.
Além disso, advertiu que reconsiderará as relações com qualquer país que não respeite a soberania e o território iraquiano, e enfatizou em que “os assuntos internos são uma linha vermelha”.