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Mais de 5.000 mortos em protestos no Irã, segundo ONG sediada nos EUA

Pelo menos 26.852 pessoas foram detidas, segundo a mesma organização, cujo balanço supera o único divulgado até o momento pelas autoridades iranianas, de 3.117 mortos

Redação Jornal de Brasília

23/01/2026 12h08

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Foto: Henry Nicholls/AFP

Um grupo de defesa dos direitos humanos sediado nos Estados Unidos anunciou, nesta sexta-feira (23), que conseguiu confirmar que mais de 5.000 pessoas morreram durante os recentes protestos no Irã, e que, em sua maioria, trata-se de civis mortos pelas forças de segurança.

ONGs que monitoram o balanço deixado pela repressão às maiores manifestações organizadas no Irã em anos indicaram que seu trabalho foi dificultado pelo corte da internet imposto pelas autoridades desde 8 de janeiro, e alertaram que o número real provavelmente é muito mais elevado.

Nesta sexta-feira, a organização Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, anunciou que havia confirmado a morte de 5.002 pessoas; incluindo 4.714 manifestantes, 42 menores, 207 membros das forças de segurança e 39 transeuntes.

No entanto, o grupo acrescentou que ainda está investigando outras 9.787 possíveis mortes.

Pelo menos 26.852 pessoas foram detidas, segundo a mesma organização, cujo balanço supera o único divulgado até o momento pelas autoridades iranianas, de 3.117 mortos.

O órgão que comunicou esse balanço na quarta-feira é a fundação iraniana de mártires e veteranos, que distingue entre “mártires” — membros das forças de segurança ou transeuntes inocentes — e “arruaceiros” respaldados pelos Estados Unidos. Das 3.117 pessoas mortas, segundo a fundação, 2.427 eram “mártires”.

Ao divulgar seu próprio balanço, a HRANA indicou que as autoridades iranianas “tentaram sustentar a narrativa oficial do governo a respeito das matanças”.

Outra ONG, a Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, afirmou ter documentado a morte de pelo menos 3.428 manifestantes pelas mãos das forças de segurança, mas advertiu que o número final poderia girar em torno de 25.000 mortes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou com novas ações militares contra Teerã em resposta à repressão, alertando em particular para consequências em caso de execução de manifestantes.

A Casa Branca indicou em 15 de janeiro que “800 execuções que estavam programadas e deveriam ser realizadas” em 14 de janeiro “foram suspensas” após a pressão de Washington.

O procurador-geral do Irã, Mohamad Movahedi, chamou essa afirmação de “completamente falsa”.

“O irracional e arrogante presidente americano (…) afirmou que impediu a execução de 800 pessoas no Irã. Essa afirmação é completamente falsa: não existe tal número, nem o Poder Judiciário tomou uma decisão nesse sentido”, declarou, citado pelo Mizan, site do Judiciário.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, instou nesta sexta-feira as autoridades iranianas a pôr fim à sua “repressão brutal”, em particular “aos julgamentos sumários e às penas desproporcionais”.

AFP

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