Mais de 300 mil pessoas já receberam ajuda alimentícia no Haiti desde o terremoto do último dia 12, enquanto há distribuição de água em vários pontos da capital haitiana, Porto Príncipe, embora nem sempre de boa qualidade, disse hoje a ONU.
Segundo informações do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) já entregou quase três milhões de porções de comida a mais de 200 mil pessoas – a proporção é de três porções por dia e pessoa para cinco dias.
Outras 100 mil pessoas receberam ajuda alimentícia de outras organizações.
Apesar destes números, a ajuda continua sendo insuficiente, pois a ONU calcula que até dois milhões de pessoas ainda precisam de alimentos.
O PMA estabeleceu como objetivo distribuir dez milhões de porções de alimentos na próxima semana, alcançando 100 mil pessoas por dia.
Quase 150 aviões com ajuda aterrissam a cada dia no aeroporto de Porto Príncipe, mas outros mil esperam sua vez de pousar com sua carga.
“A estrada que vem da República Dominicana continua sendo a melhor opção para a maioria das cargas que chegam”, afirma a Ocha.
O porto da capital haitiana já está em operação e pode receber 250 contêineres diariamente, com o objetivo de chegar a 350 contêineres diários na segunda-feira.
As organizações de ajuda começaram a levar assistência para outras cidades haitianas afetadas pelo terremoto.
Segundo as últimas avaliações da Ocha, em Leogane, cidade que ficou com entre 80% e 90% dos edifícios destruídos, morreram entre cinco mil e dez mil pessoas, de uma população de 134 mil.
Em Petit Goave, os danos foram menos graves do que o esperado. A cidade ficou 15% destruída e 1.077 pessoas morreram, de uma população de 254 mil habitantes.
Não há estimativas sobre Gressier, Carrefour e Jacmel, todas com índice de destruição de entre 40% e 60%.
Em Porto Príncipe, os dados do Governo haitiano falam de 75 mil mortos, 200 mil feridos e um milhão de deslocados.
O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) do dia 12 e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.
O Exército brasileiro informou que 18 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.
Entre os civis – além da médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e de Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti -, foi informado que outra mulher também morreu no tremor, aumentando para 21 o número total de vítimas brasileiras.