Três dos cinco membros do Comitê Nobel Norueguês se opuseram inicialmente a dar o prêmio da Paz 2009 ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, embora no final aceitaram, informa hoje o jornal norueguês “VG”.
A representante no comitê do Partido do Progresso, Inger-Marie Ytterhorn, a conservadora Kaci Kullmann Five e a socialista Ågot Vale mostraram objeções à concessão do Nobel a Obama, anunciado no último dia 9 em Oslo, segundo “VG”, que alude a “várias fontes” sem especificar sua origem.
Ytterhorn, o mais reticente, mostrou suas dúvidas sobre a capacidade de Obama para manter seu compromisso internacional frente aos problemas de política nacional e alegou que era cedo demais para dar-lhe o prêmio, já que quase não leva dez meses no cargo.
“Tinha esperado mais debate, especialmente sobre o que considero problemático, a guerra no Afeganistão”, disse a “VG” Vale.
O maior defensor de Obama foi o presidente do comitê, o trabalhista Thorbjørn Jagland, que contou com o apoio firme de sua companheira de partido Sissel Rønbeck, de acordo com “VG”.
“O processo foi completamente normal e a decisão é unânime”, declarou hoje ao diário Jagland, que nos últimos dias teve que defender frente às críticas públicas a escolha de Obama para o prêmio.
Em sua motivação, o Comitê Nobel ressaltou os “esforços extraordinários para reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos” de Obama, dando especial importância a sua visão e seu trabalho por “um mundo sem armas nucleares”.
O Comitê Nobel falou também do “novo clima” na política internacional surgido com a chegada de Obama, no qual a diplomacia multilateral reconquistou um papel central, enfatizando o papel da ONU e outras instituições.
Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro e ex-presidente do Parlamento, assumiu a Presidência do Comitê Nobel Norueguês no passado 1º de janeiro, em substituição do democrata-cristão Ole Danbolt Mjøs.
Os cinco membros do comitê são nomeados por um período de seis anos pelo Parlamento norueguês, de acordo com a correlação de forças entre as formações políticas.