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Maior medo é COP30 ter muito papo e apertos de mãos, mas sem ação real, diz CEO da Scania

“Já estive em muitas COPs e meu maior medo é que, novamente, seja muito papo, otimismo e apertos de mãos, porém sem uma ação real”, disse Levin

Redação Jornal de Brasília

29/08/2025 21h12

Foto: Carlos Fabal / AFP

Foto: Carlos Fabal / AFP

Södertälje (Suécia), 29 – A três meses de embarcar ao Brasil para participar da COP30, o CEO da montadora sueca Scania, Christian Levin, teme que a conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas seja de “muito papo” e pouca ação. Apesar disso, ele considera como positivo a agenda ambiental voltar ao centro das atenções, após uma série de turbulências que abalaram o planeta, e diz ver ambiente para avanços em razão do chamado para a ação vindo das tragédias climáticas cada vez mais frequentes.

“Já estive em muitas COPs e meu maior medo é que, novamente, seja muito papo, otimismo e apertos de mãos, porém sem uma ação real”, disse Levin, em entrevista a um pequeno grupo de jornalistas que visitaram a sede da montadora sueca em Södertälje, a cerca de 30 quilômetros da capital Estocolmo.

O executivo espera que a pauta sobre como tornar a energia renovável mais barata – e os combustíveis fósseis, mais caros – esteja no centro do debate em Belém, no Pará, onde acontecerá, em novembro, a COP30. Apesar dos avanços da tecnologia, como maior autonomia e equipamentos que permitem uma recarga mais rápida, a adoção dos caminhões elétricos pesados, inferior a 1,5% das vendas na Europa, tem sido considerada decepcionante pelo grupo sueco.

Junto com a desconfiança sobre a disposição dos governos em seguir em frente com as iniciativas de descarbonização, a expansão em velocidade pouco satisfatória da infraestrutura de distribuição de energia e das redes de recarga das baterias está entre os obstáculos que vem impedindo uma transição mais rápida a fontes de energia renovável.

Levin adiantou que pretende dedicar sua agenda em Belém a conversas com autoridades brasileiras sobre o preço e a oferta de biogás, combustível que pode ser usado em um dos modelos produzidos na fábrica da montadora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. “Você tem que ser educado, mas também provocativo em relação à liderança política”, comentou Levin.

Além da montadora sueca, Levin é CEO do grupo Traton, braço da Volkswagen em veículos comerciais que reúne, além da Scania, as marcas MAN, International e Volkswagen Caminhões e Ônibus. Depois da pandemia, guerra na Ucrânia, escalada dos conflitos no Oriente Médio e, agora, as tarifas no comércio com os Estados Unidos, ele avalia que a ameaça das mudanças climáticas finalmente está voltando à mesa de discussão dos formuladores de políticas públicas.

“Vemos o que está acontecendo com os desastres naturais. A Europa está sendo particularmente afetada, mas também o Brasil, como mostraram as enchentes no Sul há um ano. Precisamos fazer algo porque essa é, além das guerras nucleares, a maior ameaça para a humanidade. E acho que há um tipo de movimento voltando”, comentou o CEO da Scania, citando também a retomada da agenda no âmbito do Fórum Econômico Mundial.

“Estou realmente ansioso e realmente esperançoso. Acho que não vai ser um fiasco como talvez tenha sido a última. Desta vez, realmente acredito”, afirmou o executivo em relação a suas expectativas para a COP30.

*O repórter viajou a convite da Scania

Estadão Conteúdo

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