Para conseguir esse objetivo, Washington conta em vários países latino-americanos com o apoio de uma “direita absolutamente desafiante e disposta a tudo” para conservar a hegemonia política e econômica que historicamente dominou, acrescentou o chanceler da Venezuela.
A suposta “participação” dos Estados Unidos no golpe de Estado que em 28 de junho derrubou o presidente Manuel Zelaya está “bastante clara”, disse Maduro diante dos delegados e representantes de partidos de esquerda de 40 países que se reúnem entre hoje e amanhã em Caracas, encontro internacional de partidos de esquerda, organizado pelo Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV).
No princípio, nada indicava que Washington podia estar por trás do golpe em Honduras, mas que essa percepção mudou.
“Com o passar do tempo, acredito que ficou bastante clara a participação das distintas instâncias de poder (dos EUA) do Pentágono, Departamento de Estado e CIA, na execução e manutenção do golpe de Estado em Honduras”, expressou o ministro.
No início deste ano, “o Obama prometeu em seu discurso uma nova etapa das relações entre nosso continente e a elite dos Estados Unidos”, mas que episódios como o golpe em Honduras e o convênio militar entre Washington e Bogotá põem por terra essa intenção.
“Em 28 de junho”, quando Zelaya foi destituído “começou a cair a promessa sobre um diálogo mais respeitoso” entre os EUA e a região.
A crise hondurenha e o acordo militar Colômbia-Estados Unidos “são a resposta” de Washington aos processos “pacíficos” de mudanças que se desenvolvem na região ao calor das ideias da “esquerda progressista”, acrescentou Maduro.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, considera uma “ameaça” para sua “revolução bolivariana” o acordo militar assinado pela Colômbia e os Estados Unidos, e por isso congelou as relações com Bogotá em 28 de julho.
Pelo acordo, os soldados dos Estados Unidos podem utilizar bases na Colômbia na luta contra o terrorismo e o narcotráfico, segundo Bogotá e Washington.