O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incentivou os demais governantes da região a não serem “servis” diante dos Estados Unidos, sales no encerramento da 1ª Cúpula da América Latina e do Caribe, visit this site realizada em Costa do Sauípe, na Bahia.
“Acho que muitas vezes o comportamento super serviçal na política é o que faz com que as pessoas não sejam devidamente tratadas e devidamente respeitadas”, disse em uma sessão que devia ser a portas fechadas e que, por engano da organização, teve o sinal aberto à sala de imprensa.
Lula, que durante dois dias foi o anfitrião de quatro cúpulas presidenciais, contou uma lembrança ocorrida durante a reunião do Grupo dos Oito (G8, as sete nações mais ricas do mundo e a Rússia) em 2003, em Paris, para exemplificar quão ruim pode ser o servilismo político.
“Eu cheguei e todo o mundo estava sentado, cumprimentei, e quando o presidente (dos Estados Unidos, George W.) Bush entrou, todo o mundo se levantou e eu, junto com (o então secretário-geral da ONU) Kofi Annan, disse: não vamos nos levantar”.
“Não nos levantamos e Bush se dirigiu para nos cumprimentar sem nenhum problema, sem fazer nenhuma diferença”, acrescentou.
Lula também revelou que vários países que participaram com o Brasil da criação do Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes) na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, México, em 2004, “sofreram pressão e não compareceram na próxima reunião que nós fizemos”.
“Sinto que essa consciência está mudando; as pessoas estão aprendendo que é importante ter relações com todos os países e que ser servil não ajuda a crescer”, afirmou.
“Ninguém deixa de reconhecer a importância dos Estados Unidos. É mais forte militar e tecnologicamente”, admitiu Lula, mas ressaltou: “entre nós existem outras possibilidades que não conhecíamos”.
“Ninguém quer deixar de fazer negócios com a UE (União Européia), com os Estados Unidos, nem (o presidente da Venezuela, Hugo) Chávez, mas queremos fazer em condições legítimas, adequadas e que possamos discutir nossas possibilidades”, acrescentou.
Se isso não for feito, “nunca cresceremos como nações, ficaremos sempre pobres como países da periferia”, advertiu.
Para Lula, “esta crise é uma oportunidade para repensar o tipo de economia que queremos, porque os modelos atuais, que pareciam infalíveis, foram criados depois da Segunda Guerra Mundial”.
Lula criticou o fato de o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) “ainda não terem se manifestado sobre a crise financeira que começou nos Estados Unidos”.
“Como conjunto de países latino-americanos, temos que pedir a estas instituições e à ONU que dêem uma organização econômica, que nos diga até onde vai esta crise financeira”, acrescentou.
O presidente chamou a atenção para o fato de “os bancos dos Estados Unidos e da União Européia terem recorrido ao Estado, que, de não valer nada, passou a ser o salvador da pátria”.
Ele falou também sobre o futuro Governo dos EUA, liderado por Barack Obama.
“Espero que Obama tenha uma boa visão para a Venezuela e que tenha relações com outros países”, como Cuba, disse Lula, para quem não existe explicação para que os EUA mantenham o embargo econômico e político à ilha.
“Acho que as coisas estão mudando muito ultimamente”, em contraste com o que veio ocorrendo durante décadas, “quando éramos um continente de surdos que não nos víamos”, anotou.