Menu
Mundo

Lula exalta resultados da visita à Índia e defende união do Sul Global

O presidente destacou o aumento no comércio bilateral e a assinatura de 11 acordos, enquanto defendeu parcerias entre países em desenvolvimento para alterar a lógica econômica mundial

Redação Jornal de Brasília

22/02/2026 10h30

india brazil diplomacy

Foto: SAJJAD HUSSAIN / AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um balanço positivo de sua visita à Índia, realizada em retribuição à viagem do primeiro-ministro Narendra Modi ao Brasil em julho de 2025 durante a Cúpula do Brics.

Nesta quarta viagem do líder brasileiro ao país asiático, foram assinados 11 acordos governamentais em áreas como defesa, aviação civil e militar, comércio, investimentos, saúde, indústria farmacêutica, ciência, tecnologias digitais, energia, minerais críticos, cooperação espacial, educação e cultura. Entre os instrumentos destacados, estão a parceria digital para o futuro, além de acordos sobre minerais críticos, propriedade intelectual, saúde, serviços postais, empreendedorismo e certificados de origem. Três instrumentos público-privados também foram firmados entre universidades, fundações e entes governamentais.

Lula enfatizou o potencial econômico do Brasil, lembrando que, em apenas três anos e dois meses, o país abriu mais de 520 novos mercados para produtos brasileiros. Ele projetou metas ambiciosas para o comércio exterior, que passou de 100 bilhões de dólares há 21 anos para cerca de 649 bilhões atualmente, com a expectativa de alcançar um trilhão em breve. No âmbito bilateral com a Índia, o fluxo comercial superou 15 bilhões de dólares em 2025 pela primeira vez, um crescimento de 25% em relação a 2024. O presidente e Modi estabeleceram a meta de 20 bilhões até 2030, mas Lula propôs elevar para 30 bilhões, destacando o forte potencial dos dois países.

Durante coletiva de imprensa em Nova Délhi, antes do embarque para a Coreia do Sul, Lula defendeu a união de países em desenvolvimento, especialmente do Sul Global, para mudar a lógica econômica mundial. Ele criticou as dependências tecnológicas e econômicas herdadas do colonialismo e argumentou que nações como Brasil e Índia precisam se aliar para negociar de forma equilibrada com superpotências. ‘Países pequenos se unam para negociar com os maiores’, disse, com base em 500 anos de experiência colonial.

Sobre o Brics, Lula descreveu o bloco como um grupo forte, representando quase metade da humanidade, que ganhou identidade e criou um banco próprio. Ele negou planos para uma moeda comum, mas defendeu o comércio em moedas nacionais para reduzir dependências e custos. O presidente sugeriu que o Brics poderia se integrar ao G20, formando eventualmente um G30, promovendo equilíbrio geopolítico sem pretender uma nova Guerra Fria.

Lula voltou a cobrar reformas na ONU para aumentar sua representatividade e eficácia na manutenção da paz e harmonia global. Ele questionou a ausência de países como Índia, Brasil, Alemanha, México, Nigéria e Egito no Conselho de Segurança, especialmente considerando populações acima de 100 milhões. O líder brasileiro citou crises recentes, como na Venezuela, Gaza e Ucrânia, para reforçar a necessidade de multilateralismo e impedir interferências unilaterais.

Nas relações com os Estados Unidos, Lula expressou otimismo para uma conversa com o presidente Donald Trump sobre parcerias amplas, incluindo o combate ao crime organizado transnacional, como o narcotráfico. Ele defendeu relações civilizadas e igualitárias, destacando o interesse mútuo em evitar tarifas que causem inflação nos EUA. Sobre a recente derrubada de tarifas pela Suprema Corte americana, reduzindo-as para 15%, o presidente afirmou não julgar decisões judiciais estrangeiras, mas esperar normalidade nas relações bilaterais.

Os encontros com Modi e empresários indianos foram descritos como exitosos, focando em confluências comerciais e investimentos. Lula relatou otimismo dos empresários com o Brasil e reiterou que a exploração de minerais críticos e terras raras deve agregar valor no território nacional, evitando a repetição do modelo do minério de ferro. A ApexBrasil classificou a missão como a mais profícua da gestão, inaugurando um escritório em Nova Délhi e colocando produtos brasileiros, como castanha, açaí e limão, em redes de supermercados locais. Um voo direto entre Nova Délhi e o Brasil está previsto em breve para impulsionar o comércio e o turismo.

Após a Índia, Lula segue para Seul, onde será recebido pelo presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do brasileiro à Coreia do Sul, a primeira de Estado, com a adoção do Plano de Ação Trienal 2026-2029 para elevar a parceria a nível estratégico.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado