O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega francês, Nicolas Sarkozy, anunciaram hoje uma posição comum para a Conferência da ONU sobre a Mudança Climática, em Copenhague, que propõe, entre outras medidas, a criação de uma Organização Mundial do Meio Ambiente.
O documento que ambos levarão à capital dinamarquesa em dezembro será “nossa bíblia climática”, disse Lula em entrevista coletiva após a reunião realizada nesta tarde com Sarkozy no Palácio do Eliseu.
Brasil e França assinam nesse texto as conclusões do relatório do Grupo Intergovernamental sobre a Evolução do Clima (GIEC) e “apoiam o objetivo de limitação do aumento da temperatura média mundial a dois graus centígrados acima dos níveis pré-industriais”.
É um acordo com objetivos e compromissos concretos para frear um fenômeno do qual “todos somos vítimas”, disse Lula, antes de lembrar que seu Governo acaba de aprovar um ambicioso “compromisso voluntário” para conter a mudança climática e o desmatamento da Amazônia.
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, explicou à imprensa os detalhes desse compromisso que, como medida principal, prevê reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020.
É um exemplo a ser seguido, segundo Sarkozy, ao assegurar que França e Brasil estão dispostos a fazer com que o resultado de Copenhague seja “ambicioso”.
A entidade que se encarregaria de pô-lo em prática seria a futura Organização Mundial do Meio Ambiente que, segundo o chefe do Estado francês, seria um organismo dependente da ONU e teria como missão avaliaar “a compatibilidade entre a realidade e os compromissos” firmados pelos países.
Com essa organização se daria “mais coerência aos esforços da comunidade internacional” nesse âmbito, assinala o texto do acordo conjunto assinado hoje em Paris.
A partir de agora, Lula e Sarkozy se comprometeram a trabalhar contra o relógio para tentar convencer o maior número possível de países a se juntar a sua posição com o objetivo de fazer com que a cúpula mundial sobre a mudança climática seja um sucesso.
Ambos mandaram um claro recado aos Estados Unidos e à China, no sentido que devem se somar a um compromisso ambicioso em vez de pactuar de antemão um acordo em termos mínimos.
Para Sarkozy, “a primeira economia do mundo deve estar à altura de suas responsabilidades”.
Lula lembrou que “todos somos vítimas da mesma irresponsabilidade” e que os gases poluentes não podem ser parados por nenhum muro ou fronteira.
Faltando pouco menos de um mês para a grande reunião em Copenhague, os dois presidentes começarão a partir de agora a redobrar seus contatos para ampliar o consenso.
Lula viaja ainda hoje para Roma onde, além de se reunir com o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, participará da primeira Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).
Sarkozy já antecipou que se reunirá na semana que vem com o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, e a chanceler alemã, Angela Merkel.
Além disso, no final deste mês, o presidente francês estará na cúpula da Comunidade Britânica, em Trinidad e Tobago, além de visitar o continente africano e, possivelmente, o Brasil.
Sarkozy anunciou que pedirá a todos os chefes de Estado ou de Governo para que estejam em Copenhague em vez de apenas mandar seus ministros do Meio Ambiente.
“Não podemos esperar mais”, afirmou o presidente francês, ao explicar que o objetivo de suas viagens é levar um acordo “ambicioso” para a capital da Dinamarca.