Reunidos em Barcelona, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Pedro Sánchez, da Espanha, defenderam a democracia e a necessidade de as nações se unirem no combate às desigualdades globais. O encontro ocorreu na 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, organizada pelo governo espanhol, nos dias 17 e 18 de abril.
As declarações foram feitas após uma cerimônia de assinatura de atos no Palácio Real de Pedralbes, durante uma coletiva de imprensa com jornalistas brasileiros e estrangeiros na sexta-feira (17/4).
Lula alertou para o esvaecimento do processo democrático nos últimos 20 anos, com o retrocesso da classe trabalhadora, o aumento da concentração de riqueza e a perda de direitos humanos conquistados. “Nesses últimos 20 anos, na maioria dos países, a classe trabalhadora vem só retrocedendo. Está aumentando a concentração de riqueza, estão tirando os direitos humanos conquistados a sangue e o suor. A democracia foi se enfraquecendo. E aí ganha corpo o quê? Ganha corpo o extremismo”, afirmou o presidente brasileiro.
Ele questionou onde os democratas falharam e enfatizou a importância de eventos como o Fórum Democracia Sempre para reunir líderes progressistas e criar consciência internacional sobre a democracia. “Como nós acreditamos em outra coisa, cabe a nós fazermos as reuniões que estamos fazendo para criar uma certa consciência de que a democracia precisa ter porta-vozes em nível internacional”, disse Lula, elogiando o governo espanhol pelo empenho.
O presidente brasileiro concluiu com otimismo: “É preciso ter um discurso que dê esperança, que desperte o sonho nas pessoas. Se não fosse a democracia, um metalúrgico sem diploma universitário não chegaria à Presidência da República do Brasil pela terceira vez. Por isso, estou muito orgulhoso de participar desse encontro em Barcelona, para que a gente possa construir mais um pedacinho da estrada chamada democracia que tanto o mundo precisa”.
Pedro Sánchez destacou a consolidação do fórum pela participação de chefes de Estado, lideranças políticas, acadêmicos, sociais e sindicais. Ele ligou o fortalecimento da democracia ao combate às desigualdades, um desafio comum a todas as nações. “Se existe um desafio social que todas as nações têm é como enfrentar a desigualdade em nossas sociedades e entre as nações”, afirmou.
Sánchez mencionou iniciativas lideradas pelos governos do Brasil e da Espanha em fóruns multilaterais para criar uma estrutura que inclua não só governos, mas também acadêmicos e cientistas no enfrentamento da desigualdade.
*Com informações do Planalto