O presidente da Nicarágua, health Daniel Ortega, afirmou hoje que em seu país é “completamente inadmissível e um crime” produzir álcool derivado do cultivo de milho, mas que não tem divergências sobre isso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao lado de Lula, que está em visita oficial à Nicarágua, Ortega disse que produzir etanol a partir do milho é atentar contra a alimentação da população. Apesar de tudo, ponderou que as divergências não são com Lula, mas com o presidente George W. Bush dos Estados Unidos, que desenvolvem o combustível usando milho.
O presidente da Nicarágua falou à imprensa sobre os resultados das conversas com Lula durante um jantar particular ontem à noite. Ortega afirmou que Lula e ele concordam em tudo relativo à produção de etanol.
“Quero desfazer qualquer dúvida que se possa colocar sobre o tema. Sobre isto, parte da imprensa (de Manágua) esteve especulando e deu a entender que íamos brigar e nos enfrentar pelo tema do etanol. Isso é absurdo”, enfatizou Ortega.
Ele explicou que seu Governo apóia o cultivo da palma africana, não pensando no combustível mas na produção de óleo de cozinha. Ultimamente, porém, se considera o uso da planta também para a produção de biodiesel.
Os investidores na Nicarágua têm como condição não botar nenhuma árvore para semear a palma africana e cultivá-la em zonas onde a floresta foi desmatada. Além disso, devem ser adotadas medidas para recuperar a biodiversidade e em defesa do meio ambiente com corredores onde são plantadas árvores nativas junto com o cultivo da palma africana.
Já Lula disse que sua amizade com Ortega é histórica, de mais de 26 anos, nas vitórias e nas derrotas. “Quis Deus que agora estejamos na Presidência: Ortega na Nicarágua e eu no Brasil”, disse Lula, em declarações a jornalistas.
Ele enfatizou que o problema da energia no mundo todo é algo muito sério no século XXI, e que é preciso discutir a crise e buscar soluções a partir das características e potencialidades de cada país.
Lula lembrou que certos países esgotaram as capacidades para resolver o problema da energia e tiveram que recorrer à energia nuclear, mas que nem todos podem fazer isso por causa do alto custo.
Em comparação, o presidente afirmou que produzir etanol com milho na Nicarágua é como produzir no Brasil com feijão, o que é impossível. Apesar do debate entre os presidentes, o ministro de Energia e Minas da Nicarágua, Emilio Rappaccioli, descartara antes que o tema da produção de etanol de cana-de-açúcar seria abordado entre Lula e Ortega.
O presidente Lula visita a Nicarágua como parte de uma viagem por cinco países da América Central para incentivar a cooperação em biocombustíveis, com ênfase no etanol de cana-de-açúcar.