“Não há nenhuma contradição. A situação da crise internacional obriga todos os países a se defender”, afirmou Lula durante uma coletiva de imprensa na sede do Governo argentino, após uma reunião com Cristina.
No mesmo tom, a presidente argentina afirmou que “a crise obriga todos os países a tomar medidas que não têm a ver com o protecionismo, mas sim com dar respostas concretas a sua sociedade”.
“Eu acho que o protecionismo é uma coisa mais ampla que uma simples questão aduaneira”, disse Cristina após a controvérsia gerada este ano entre empresários argentinos e brasileiros sobre o comércio bilateral, fortemente afetado nos últimos meses pela crise econômica global.
O problema começou em fevereiro passado, quando a Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) propôs a imposição de restrições a alguns produtos importados da Argentina, como represália à decisão do país vizinho de exigir novos termos para a importação de 800 produtos.
“Uma desvalorização díspar, ou benefícios fiscais também constituem protecionismo de caráter fiscal. Não podemos nos fixar unicamente na alfândega quando falamos de protecionismo”, enfatizou Cristina.
Pela primeira vez em 69 meses, a balança comercial com o Brasil deu, em março, um superávit à Argentina, como resultado de uma queda nos intercâmbios, que foi maior no caso das importações argentinas de produtos brasileiros.
Lula chegou ontem à noite a Buenos Aires junto a uma grande comitiva de funcionários para uma visita de menos de 24 horas que termina esta tarde, quando voltará a Brasília.