Após uma longa reunião em Buenos Aires, a sexta nos últimos 30 dias, Lula e Cristina negaram que haja uma contradição nas medidas que cada país aplica para proteger seu comércio diante da crise internacional.
Acompanhado de uma grande comitiva, Lula chegou ontem à noite a Buenos Aires para analisar as relações com a Argentina dentro do mecanismo de consultas periódicas estabelecido no começo de 2008.
“Não há nenhuma contradição. A situação da crise internacional obriga todos os países a se defenderem”, disse Lula numa entrevista após seu encontro com Cristina.
“Temos que nos acostumar com o fato de que, em política internacional, ter opiniões diferentes não significa ter relações ruins”, disse, por sua vez, a governante argentina.
Segundo Cristina, “a crise obriga todos os países a tomar medidas que não têm a ver com o protecionismo, mas com dar respostas concretas à sociedade”.
A chefe de Estado da Argentina destacou que “o protecionismo é algo mais amplo que uma simples questão alfandegária”, numa aparente alusão à polêmica surgida este ano entre empresários argentinos e brasileiros a respeito do comércio bilateral, fortemente afetado nos últimos meses pela crise.
A disputa teve início em fevereiro, quando a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) propôs a imposição de restrições a alguns produtos importados da Argentina, em represália à decisão do Governo argentino de exigir licenças de importação para 800 produtos brasileiros.
“Uma desvalorização díspar ou benefícios fiscais também constituem protecionismo de caráter fiscal. Não nos atemos apenas à Alfândega quando falamos de protecionismo”, enfatizou Cristina.
Em março, pela primeira vez em cinco anos e nove meses, a balança comercial entre os dois países fechou com superávit para a Argentina. O motivo foi a queda nas exportações do Brasil para o mercado argentino.
Nesse contexto, Lula disse durante um almoço em sua homenagem na Chancelaria argentina que “a integração é a melhor e a maior forma de sair da crise”.
Na entrevista coletiva após a reunião entre os dois chefes de Estado, ambos destacaram as expectativas geradas pela chegada ao poder de Barack Obama na Presidência dos Estados Unidos. Além disso, destacaram a importância da 5ª Cúpula das Américas, realizada em Trinidad e Tobago.
“Todos, de Obama a Chávez (presidente da Venezuela e Evo (presidente da Bolívia) entenderam que precisamos de uma nova relação entre a região e os EUA”,afirmou Lula.