O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, em Nova York, que tinha pedido ao deposto líder de Honduras, Manuel Zelaya, que fique tranquilo e não dê argumentos às autoridades golpistas para uma violação da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa.
Lula informou aos jornalistas que tinha falado hoje por telefone com Zelaya, a quem garantiu proteção dentro da embaixada brasileira, onde o deposto líder hondurenho se refugiou de surpresa na segunda-feira.
O Governo brasileiro, em coordenação com a Organização dos Estados Americanos (OEA), as autoridades dos Estados Unidos, a União Europeia (UE) e outros países, está realizando intensas gestões para buscar uma saída rápida e pacífica para a nova situação, segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
A notícia da volta de Zelaya a Honduras chegou quando Lula viajava a Nova York, onde assiste à cúpula sobre mudança climática e aos debates da Assembleia Geral das Nações Unidas.
O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da UE, Javier Solana, disse hoje à imprensa que Zelaya tinha sido advertido de que “não fizesse nada que pudesse piorar as coisas”.
O deposto presidente de Honduras denunciou hoje, em comunicado, que a Polícia e o Exército “estão reprimindo o povo hondurenho” nos arredores da embaixada brasileira em Tegucigalpa, “com o fim aparente de capturá-lo”.
A União Europeia pediu tanto a Zelaya quanto ao presidente no poder em Honduras, Roberto Micheletti, que “se abstenham de qualquer ação que possa aumentar a tensão e a violência”.
A Presidência da UE – nas mãos da Suécia – ressaltou, em comunicado, “a importância de uma solução negociada para a crise atual em Honduras”.
Zelaya retornou a seu país 86 dias depois do golpe de Estado que levou ao poder Roberto Micheletti, que, em resposta, decidiu declarar um novo toque de recolher.