O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que uma solução definitiva ao conflito entre israelenses e palestinos não será possível sem o diálogo com “atores que não querem a paz”, incluindo o movimento radical islâmico Hamas.
“Notei que todas as reuniões são feitas com quem quer a paz, mas se quem não quer a paz não se senta à mesa de negociação para estabelecer um paradigma aceitável para todos, nunca haverá paz”, afirmou Lula, em entrevista à Agência Efe.
O presidente, que se reuniu nas últimas duas semanas com o presidente de Israel, Shimon Peres; o da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e o do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, insistiu em que “hoje mais que em qualquer outra época” deve ser mantido o diálogo com quem rejeita a paz, entre os quais citou o Hamas.
“Para que haja paz é preciso saber a proposta do Hamas, como o Hamas pode construir uma proposta junto com a ANP, para que o povo palestino tenha uma proposta única”, da mesma forma que Israel deve ter sua iniciativa, disse.
Lula lembrou que se ofereceu como mediador no conflito entre israelenses e palestinos “se os interessados estiverem dispostos a aceitar a contribuição do Brasil” e afirmou que é “necessário” que outros atores sejam envolvidos, porque os que negociaram nas últimas décadas “estão desgastados”.
Tanto Peres quanto Abbas, e, mais tarde, Ahmadinejad, concordaram em dar as boas-vindas ao Brasil como interlocutor e mediador no conflito no Oriente Médio.
Lula considerou que o papel dos Estados Unidos continua sendo “extremamente importante”, mas voltou a rejeitar que tenha a “hegemonia” do diálogo e criticou as Nações Unidas, já que não pode fazer nada por estar “debilitada”.
“A ONU deveria estar assumindo a responsabilidade de coordenar o processo de paz no Oriente Médio como maior instituição multilateral”, disse.
No entanto, segundo Lula, para que a ONU possa colaborar no conflito necessita ser reformada e ser mais representativa, incluindo países como Índia, Japão, Alemanha, África do Sul, Nigéria e Brasil, para tornar seu Conselho de Segurança mais “forte”.