O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que seu colega americano, Barack Obama, precisa prestar mais atenção à “família periférica” que tem na América Latina.
“É preciso olhar para a família periférica que faz parte da família americana e que, muitas vezes, depende das decisões americanas”, disse Lula, em entrevista exclusiva à Agência Efe.
Apesar de recentes críticas feitas por membros de seu Governo à política externa de Obama, especialmente para a América Latina, Lula disse que “o Brasil tem uma extraordinária relação com os Estados Unidos”.
“Convidei duas vezes o presidente Obama a visitar o Brasil, lhe disse que tem que ter um olhar carinhoso com a América Latina”, acrescentou.
Lula explicou que, quando reivindica mais atenção dos Estados Unidos para a América Latina, faz isso “nem tanto pelo Brasil”, mas porque há muitos países, especialmente das América Central, “que dependem quase que exclusivamente da economia americana”.
“Portanto, os Estados Unidos têm mais responsabilidade do que possamos imaginar”, disse Lula na entrevista concedida à Efe hoje em Manaus, onde os países amazônicos e a França debaterão propostas para levar à cúpula sobre o clima que será realizada em dezembro, em Copenhague.
Lula explicou que, embora já tenha se passado mais de dez meses desde a chegada de Obama ao poder sem grandes mudanças nas relações de Washington com a América Latina, sua expectativa em relação ao chefe da Casa Branca se mantém “altamente positiva”.
“Eu não tenho ainda nenhuma razão para não crer que ele (Obama) não vai fazer grandes mudanças nos Estados Unidos”, disse.
Lula lembrou que Obama chegou ao poder em meio a uma grande pressão por mudanças, “porque o povo espera que consiga fazer milagres”, mas, por experiência própria, sabe que não é fácil cumprir as promessas de campanha no primeiro ano de Governo.
“O primeiro ano (de Governo) é o mais difícil, no segundo, começa a melhorar, no terceiro também, e o quarto é o da reeleição”, disse Lula, que considera que “quatro anos é muito pouco” tempo para fazer mudanças.
Nesse sentido, disse que, “se o presidente Obama não começar agora (as mudanças esperadas), vai ser difícil” que consiga cumprir as expectativas geradas com sua eleição.
“No primeiro ano, se tem um capital político muito forte que pode ser usado para iniciar medidas desagradáveis (para a população), depois você tem três anos para recuperar (a popularidade perdida)”, disse Lula.