“O presidente do Brasil pouco pode fazer quando o processo está nas mãos do Supremo Tribunal Federal”, avaliou Lula durante entrevista coletiva posterior a sua reunião em Paris com o presidente francês, Nicolas Sarkozy.
Lula disse que deve esperar uma decisão do STF para depois analisar “se há algo que o presidente possa fazer”, acrescentou.
Ao responder à pergunta de um jornalista que comentou que Battisti tinha iniciado uma greve de fome para tentar impedir sua extradição, o presidente apenas disse que “se fosse Battisti, não faria”.
“Não recomendo a ninguém”, disse o presidente após lembrar que ele mesmo já fez uma greve de fome durante vários dias.
Lula provavelmente falará sobre Battisti na Itália, para onde viajou hoje a partir de Paris. Em Roma, ele deve se reunir com o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, e participar da primeira Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês).
Atualmente com 55 anos, Cesare Battisti foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), braço das Brigadas Vermelhas.
Battisti foi julgado na Itália à revelia e condenado à prisão perpétua em 1993 por quatro assassinatos cometidos entre 1977 e 1979, quando o país vivia uma onda de violência política.
Na época de seu julgamento, Battisti estava na França, país que o concedeu o status de refugiado político, mas fugiu em 2004, quando o Governo francês se preparava para revogar essa condição com o objetivo de extraditá-lo à Itália.
Battisti foi capturado em março de 2007 no Rio de Janeiro, onde, segundo fontes policiais, foi localizado em uma operação conjunta feita por agentes de Brasil, Itália e França. Desde então, permanece detido em uma prisão de Brasília, de onde reivindica sua inocência e se diz vítima de uma perseguição política por parte do Governo italiano.