O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que a consolidação da integração sul-americana demorará “entre cinco e dez anos” e defendeu o diálogo e a paz como contribuições para o desenvolvimento da região.
“Existe um tempo de amadurecimento da confiança entre os Governos, depois entre os políticos, mais tarde entre os empresários e do povo nos povos de outros países”, disse Lula, em entrevista à Agência Efe.
O presidente assegurou que não espera ver a consolidação da integração sul-americana em seu mandato, que termina no final de 2010, nem no curto prazo, mas que está “muito satisfeito” pelos avanços alcançados até o momento.
Segundo Lula, os presidentes da região têm que pensar que “somente com muita democracia e muita paz” conseguirão alcançar o desenvolvimento que “todo o povo sonha” para o século XXI.
“Para isso, necessitamos muita paciência política, muita disposição para conversar, muitas reuniões e muitos acordos, até que tudo isto seja amadurecido”, afirmou.
Lula disse, ainda, que os países da região devem “retomar a confiança” entre eles e estabelecer parâmetros para uma “boa convivência”, o que será possível, segundo ele, através de organismos como o Parlamento do Mercosul, a União de Nações Sul-americanas (Unasul) e o Banco do Sul.
O presidente ressaltou que a integração europeia foi “muito mais difícil”, já que demorou 50 para consolidar-se e começou pela complicada aproximação entre Alemanha e França, inimigos nas duas guerras mundiais.
Além disso, afirmou que “os erros do século XX não podem ser repetidos”, como o fato de algumas nações terem se subordinado aos Estados Unidos e terem considerado o país “a salvação” da América Latina, uma ideia estendida entre “todos” os governantes nas décadas passadas.
“Os EUA não são a salvação. Na crise, tentou salvar sua pele, o que é normal. Nós tentamos buscar outros parceiros e amigos, para não sermos dependentes de um só”, disse.
Para Lula, outros países vizinhos muitas vezes seguiram “a doutrina” de ver o Brasil “como um império, um adversário” e inclusive os empresários latino-americanos tiveram “mais medo” das indústrias brasileiras que das americanas.
“O que queremos é ser tratados em igualdade de condições e, graças a Deus, os países da América do Sul estão descobrindo que o Brasil é um parceiro”, concluiu.