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Mundo

Lula diz que Brasil pode ajudar a financiar luta contra a mudança climática

Arquivo Geral

18/12/2009 0h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje, durante seu discurso no plenário da cúpula da ONU sobre a mudança climática (COP15), que o Brasil está disposto a financiar a luta contra este fenômeno.

“Se for preciso fazer um sacrifício a mais, o Brasil está disposto a também colocar dinheiro para ajudar outros países” no combate ao aquecimento global, afirmou Lula.

O presidente ressaltou que as metas voluntárias para a redução de emissões anunciadas pelo Brasil não precisam de financiamento externo.

Ele também disse que talvez só mesmo um milagre salve a cúpula e que esta não deveria terminar com a assinatura de um “documento qualquer” só para que os líderes mundiais possam “dizer que algo foi assinado”.

“Não sei se algum anjo ou um sábio descerá no plenário e colocará em nossas cabeças a inteligência que nos faltou até agora (nas negociações). (Mas) como acredito em Deus, acredito em milagres”, disse Lula, segundo quem o Brasil não foi a Copenhague barganhar e não precisa de “dinheiro externo” para financiar suas metas.

As reuniões de última hora promovidas por cerca de 20 líderes mundiais presentes, entre eles o presidente brasileiro, mostraram que, “até agora”, as partes “não trabalharam com a responsabilidade necessária”, acrescentou Lula, para quem “todos poderiam ter oferecido um pouco mais se tivessem tido mais vontade”.

Os compromissos assumidos pelo Brasil na luta contra a mudança climática, que custarão ao país US$ 166 bilhões até 2020, implicam um trabalho “que não será fácil”, mas mostram o caminho a ser seguido, porque “com meias palavras e barganhas não se encontrará uma solução em Copenhague”, disse o chefe de Estado.

Lula também admitiu que a responsabilidade na luta contra a mudança climática é “comum”, embora devesse ser “diferenciada” de acordo com o grau de desenvolvimento de cada nação.

O financiamento aos países pobres para que estes possam manter seu desenvolvimento e preservar o meio ambiente é indispensável, mas exige uma reflexão mais profunda, destacou o presidente.

“O mais importante é que nós, países em desenvolvimento e ricos, quando pensarmos em dinheiro, não pensemos que estamos fazendo um favor, dando esmola. O dinheiro é o pagamento das emissões de gases estufa feitas durante dois séculos por aqueles que tiveram o privilégio de se industrializar primeiro”, afirmou.

Os países ricos têm direito a exigir “transparência” e o cumprimento das políticas financiadas, “mas é preciso ter cuidado com essa intromissão”, advertiu Lula.

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